Pela manhã, a cidade amanheceu cercada por uma densa fumaça, com o ar ainda mais seco e muita fuligem espalhada por vários locais.
A fuligem de queimadas é um dos principais subprodutos gerados durante incêndios florestais ou em áreas de vegetação. Consiste em pequenas partículas de carbono e outros resíduos, resultantes da queima incompleta de materiais orgânicos. Esse material, leve e de fácil dispersão, é transportado pelo vento, podendo percorrer longas distâncias e impactar tanto áreas rurais quanto urbanas.
A presença de fuligem no ar gera uma série de problemas, tanto ambientais quanto de saúde pública. No aspecto ambiental, a fuligem pode ser depositada sobre corpos d’água, solo e plantas, afetando ecossistemas locais. Nas cidades, essa fuligem tende a se acumular em superfícies, como telhados e ruas, causando manchas e contribuindo para a poluição do ar.
Em termos de saúde, a exposição à fuligem pode agravar problemas respiratórios, como asma e bronquite, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes. As partículas finas de fuligem, conhecidas como material particulado, penetram profundamente nos pulmões, causando irritação das vias aéreas e, em casos mais graves, levando a complicações respiratórias e cardiovasculares.
Além disso, a fuligem é frequentemente associada a uma visibilidade reduzida, tornando o tráfego mais perigoso em estradas afetadas por queimadas próximas. Por isso, durante períodos de queimadas, as autoridades de saúde e defesa civil costumam emitir alertas à população sobre os riscos, recomendando o uso de máscaras e a permanência em locais fechados sempre que possível.
A prevenção de queimadas, o combate rápido ao fogo e ações de conscientização são essenciais para reduzir a produção de fuligem e seus impactos negativos sobre a população e o meio ambiente.
Rio de Janeiro tem o maior número de queimadas desde 2017
Tendência é de focos aumentarem em setembro e outubro
Desde o início de 2024, o monitoramento por satélite realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 760 focos de queimadas no estado do Rio de Janeiro.
É o maior número de ocorrências já registrado em um único ano desde 2017, quando houve 959 registros. É uma marca que ainda pode ser superada, já que setembro e outubro são meses com uma grande média histórica de incêndios florestais.
É o maior número registrado para o mês desde 2010, quando houve 355 ocorrências. Em setembro, o Inpe já identificou até o momento 55 incêndios florestais dentro do estado.
Há duas semanas, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro já havia alertado para um crescimento significativo das queimadas no estado desde o início do ano. A corporação havia informado ter atendido até então 6.178 ocorrências a mais do que no mesmo período do ano passado, aumento que cerca de 85%. Os municípios do Rio de Janeiro (4.513), São Gonçalo (569) e Duque de Caxias (561) estão no topo do ranking dos mais afetados, seguidos por Maricá, Nova Iguaçu, Niterói, Araruama, Nova Friburgo, Campos dos Goytacazes e Volta Redonda.
O excesso de queimadas no Brasil vem resultando em uma queda na qualidade do ar em diversas regiões, gerando preocupações com a saúde das populações. No últimos dias, viralizaram nas redes sociais imagens que mostram paisagens encobertas por fumaça em algumas capitais, como Brasília, São Paulo e Belo Horizonte.
Especialistas têm apontado que os ecossistemas ficam mais vulneráveis a incêndios em momentos de seca, como a que o país está enfrentando. Esse cenário pode estar sendo influenciado por diferentes fatores, como o aquecimento global impulsionado pela ação humana e pelos efeitos do fenômeno climático El Niño, seguido da La Niña.
Mas apesar do clima seco deixar áreas de mata mais suscetíveis a queimadas, a origem delas muitas vezes é criminosa.
Já há investigações abertas em diversos locais do país que apuram indícios que reforçam essa possibilidade. Prisões já foram realizadas nos últimos dias, por exemplo, nos estados de São Paulo e de Goiás.