Nova Faol apresenta sua versão sobre a polêmica do transporte público

Na manhã de ontem, 17, a Nova Faol, empresa responsável por realizar o serviço de transporte público em Nova Friburgo, concedeu uma coletiva de imprensa, que durou cerca de quase três horas, para dar a sua versão sobre toda essa polêmica, levantada nos últimos dias, a respeito da situação da prestadora de serviço com a prefeitura de Nova Friburgo. O diretor da Nova Faol, Alexandre Colonese, iniciou a coletiva já frisando que precisa resolver o problema.

Durante a coletiva, Alexandre aproveitou para falar sobre a situação da falta de contrato, e alegou que, em um novo, eles querem se tornar prestadores de serviço, pois a concessão acabou em setembro de 2018.

O que a Faol quer? A Faol não quer nada, quer simplesmente que façam um contrato de prestação de serviço, onde ela abre mão, no caso eu, de uma remuneração própria, de um aluguel de um imóvel que me pertence, de uma remuneração de um capital investido, porque eu só quero que pague o óleo diesel, o salário, mais nada, só o suficiente para botar o ônibus na rua” – disse o diretor.

Além disso, outros pontos foram abordados pelo representante da empresa, desde a situação caótica com o antigo gestor municipal, até a relação com o atual governo. Ele relembrou sobre a última reunião que teve com representantes do Executivo, onde se deu a conversa que resultou no polêmico valor de R$ 5,90 para a passagem.

Segundo Colonese, o Professor Pierre, Secretário Geral de Governo e da Casa Civil, questionou como a concessionária chegou ao valor da tarifa contratual, até então de R$ 5,68. Ele respondeu que a Nova Faol fez este cálculo, pela ferramenta GEIPOT, com base no número de passageiros, gastos com combustível e salários. A ferramenta disponibiliza planilhas para cálculo de tarifas de ônibus urbano. O secretário logo rebateu, segundo o diretor, dizendo “Isso não existe! Nós vamos fazer pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) porque é moderna”. O cálculo então foi feito, pela ANTP, e chegou ao valor de R$ 5,90. Alexandre finalizou dizendo: “Agora é R$ 5,90!”. Caso a prefeitura queira diminuir o valor, o diretor da Nova Faol disse que o Executivo deve arcar com os custos dessa redução.

Ainda sobre o valor da passagem, Alexandre contou sobre a proposta que fez ao prefeito de calcular a tarifa por quilômetro rodado, em vez de aplicar um valor único, “que não satisfaz nem trajetos curtos nem os mais longos: o passageiro prefere ir de Uber”. Ele afirma que a empresa poderia colocar um equipamento na entrada e saída do ônibus para que esse cálculo fosse feito, mas ele destacou que “alguém” teria que pagar a diferença para quem fizer o trajeto mais longo, para que assim a passagem não fique cara demais.

Falando sobre o pagamento de subsídios, o gestor da Nova Faol falou sobre as alegações que a prefeitura fez porque, segundo o Ministério Público (MP), não é certo realizar esses tipos de pagamentos. Ele logo rebateu dizendo que subsídio se dá a concessionária e ele é um prestador de serviços, sendo assim, ele diz:

Para conduzir um passageiro é ‘tanto’, e você (Prefeitura) tenta pegar do passageiro o que você pode, e se não der tudo, passa aqui (na Prefeitura) e ‘pega’ resto”, justificando como funcionaria o reembolso da passagem contratual, pagando não um subsídio e sim um retorno pela prestação de serviços, que é um desejo da empresa. “A tarifa poderia ser R$ 3 se não fossem as benesses políticas. Se a prefeitura quer gratuidade, tem que ajudar a pagar. Todo mundo deveria pagar, mesmo pouco, mas pagar. É pagando que se dá valor” – argumenta se referindo a exigência da prefeitura, no TAC enviado por eles ao MP, exigindo a gratuidade dos servidores.

E quando o assunto foram os débitos que há entre a Prefeitura e a empresa, a fala foi a seguinte: “Quero receber o que eu não recebi da prefeitura de Nova Friburgo, na pessoa de um gestor anterior. Continuo querendo receber da prefeitura na gestão atual”.

E ele explicou de onde se originou essa dívida, segundo ele, na gestão do ex-prefeito Renato Bravo, a tarifa, que hoje custa R$ 4,20, era para ser na verdade R$ 4,41, porém o então prefeito negociou abaixá-la, pagando a diferença à empresa na forma de subsídios. O pagamento dessa diferença foi feito por apenas 2 meses, pois logo em seguida, por orientação do Ministério Público, deixaram de ser pagos, já que não havia mais contrato. Ainda sobre as dívidas, ele reconhece dever à prefeitura R$ 334 mil de outorga, por um erro da antiga direção, e não R$ 4 milhões, como tem sido dito.

Por fim, quando o assunto foi sobre a Nova Faol deixar a cidade, Alexandre disse que pode sim encerrar a operação, porém isso tem uma baixa chance de acontecer, pois ele acredita que irá conseguir entrar em um consenso com a prefeitura, já que, segundo o diretor, eles não encontrarão uma empresa que tenha a mesma estrutura que a Nova Faol já tem na cidade. Sendo assim, em um processo de licitação, ele acredita ganhar pelos mesmos motivos.

O que fica nítido em toda essa situação, com os posicionamentos de ambos os lados, é que o que falta para tudo isso ter um fim é alinhar os interesses de forma benéfica para todos. Com isso, o diretor enviou à 1ª Promotoria de Tutela Coletiva do MP algumas alterações na proposta da prefeitura, como a previsão de multa também para o poder público caso não cumpra com seus compromissos, entre eles: realizar nova licitação em até 180 dias, prazo máximo de vigência do contrato emergencial. A resposta do MP, segundo Alexandre, está prevista para chegar até a próxima semana.

Por Isabella Chaboudt.

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