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Exposição Corpo Paisagem chega a São Pedro da Serra

  • janeiro 28, 2026
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Evento apresenta, reúne pinturas e esculturas da artista friburguense Sani Guerra inspiradas na Mata Atlântica e no Carnaval dos Moitas

Exposição Corpo Paisagem chega a São Pedro da Serra

A Exposição Corpo Paisagem chega a São Pedro da Serra no dia 31 de janeiro, apresentando obras da artista friburguense Sani Guerra. A mostra reúne pinturas e esculturas que investigam as relações entre corpo, máscara e Mata Atlântica, inspiradas no tradicional Carnaval dos Moitas, realizado em Rio Bonito de Cima. As obras criam territórios imaginários onde figuras híbridas transitam entre o humano, o vegetal e o ritual. A exposição dialoga com manifestações populares brasileiras e com a pesquisa acadêmica da artista, mestranda em Artes e Design pela PUC-Rio. Corpo Paisagem reafirma a conexão entre arte contemporânea, paisagem e ancestralidade em Nova Friburgo.

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Uma imersão entre corpo, máscara e paisagem

A Exposição Corpo Paisagem chega a São Pedro da Serra no dia 31 de janeiro, a partir das 18h, no Instituto do Ator – Clínica de Artes de São Pedro da Serra, em Nova Friburgo. A mostra apresenta o trabalho da artista friburguense Sani Guerra, que investiga as relações simbólicas entre corpo, máscara, paisagem e Mata Atlântica. Corpo Paisagem propõe um mergulho sensorial e conceitual nesse universo híbrido.

A exposição reúne nove obras, sendo seis pinturas e três esculturas em argila. Os trabalhos se articulam como desdobramentos de um mesmo campo simbólico, onde figuras mascaradas, elementos naturais e territórios imaginários se entrelaçam.

Pinturas e territórios imaginários

Nas pinturas, Sani Guerra desloca figuras mascaradas para paisagens fictícias. Esses espaços simbólicos articulam ancestralidade, imaginação e território. Texturas densas, sobreposições cromáticas e jogos de espelhamento constroem uma atmosfera que oscila entre o real e o onírico.

Essa investigação visual levou a artista a iniciar uma pesquisa de mestrado na PUC-Rio, aprofundando as relações entre corpo mascarado e manifestações populares brasileiras.

A obra “A Raposa” e o ritual simbólico

Na pintura “A Raposa” (2017), o espectador se depara com uma cena silenciosa e ritualística. Uma mesa posta reúne peixes, tentáculos de polvo e alimentos crus. À frente, uma figura de costas, mascarada, veste uma jaqueta preta com o símbolo do Sagrado Coração estampado.

O rosto da figura é coberto por uma máscara de urso, referência à brincadeira popular La Ursa, do carnaval pernambucano. Nos braços, a figura segura uma raposa, cujo olhar atravessa a cena e encara diretamente quem observa a obra, rompendo a fronteira da pintura.

Esse encontro entre símbolos religiosos, animais e elementos carnavalescos constrói um cenário liminar, onde o tempo parece suspenso. A obra antecipa questões centrais da pesquisa atual da artista sobre corpo, máscara e imaginário coletivo.

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Máscaras, floresta e deslocamento simbólico

Na obra “As máscaras” (2017), duas figuras femininas aparecem sentadas em um sofá de veludo dentro de uma floresta. Ambas utilizam máscaras tibetanas, objetos ritualísticos de outra cultura. A escolha provoca um deslocamento entre tempo, lugar e identidade.

As personagens parecem inseridas em um espaço suspenso, onde natureza e artifício se confundem. A floresta surge como um espaço-templo, recorrente na produção da artista, onde o real se dissolve em camadas de mistério e contemplação.

A Mata Atlântica como vestimenta

Antes do contato com o Carnaval dos Moitas, Sani Guerra já produzia pinturas centradas na Mata Atlântica. Nessas obras, tecidos lançados sobre a vegetação criavam uma inversão simbólica. A floresta passava a vestir a indumentária.

Formas inesperadas emergiam desse gesto, sugerindo aparições latentes no território. Mesmo antes de conhecer os Moitas, a paisagem já anunciava relações entre corpo, máscara, ancestralidade e imaginação popular.

Esculturas e o corpo enraizado

As esculturas em argila aprofundam a dimensão corporal da exposição. A argila, extraída da terra, estabelece uma relação direta com a materialidade dos trajes dos Moitas. As peças exploram volumes que evocam máscaras, folhas, ornamentos e formas biomórficas.

As esculturas criam corporeidades híbridas, situadas entre humano, vegetal e entidade ritual. O gesto manual reforça a fisicalidade do fazer artístico e aproxima a produção contemporânea do fazer popular.

Além do Moita, surgem referências a figuras como os Strohmann, personagens da mitologia rural alemã associados ao espantalho e às máscaras de colheita. As obras cruzam tradições populares e cosmologias distintas.

Carnaval dos Moitas e ancestralidade viva

O Carnaval dos Moitas acontece em Rio Bonito de Cima, localidade rural cercada pela Mata Atlântica. Durante décadas, o isolamento da região contribuiu para preservar a autenticidade da manifestação.

As fantasias são confeccionadas com galhos, folhas e flores retirados do entorno. Cobertos de plantas e máscaras, os foliões circulam anonimamente pela comunidade, reforçando a fusão entre corpo e paisagem.

Esse encontro foi decisivo para a pesquisa de Sani Guerra, que reconheceu na manifestação elementos já presentes em sua prática artística. A exposição Corpo Paisagem poderá ser visitada até o dia 25 de fevereiro.

Sobre a artista

Nascida em Nova Friburgo, Sani Guerra é mestranda em Artes e Design pela PUC-Rio e licenciada em Artes Visuais. Frequentou cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e desenvolve pesquisas sobre memória, corpo, paisagem e ancestralidade.

A artista realizou exposições individuais no Museu da República e no Sesc Nova Friburgo, além de participar de mostras coletivas em instituições como Casa Museu Eva Klabin, Galeria Aymoré e Galeria Simone Cadinelli. Suas obras integram coleções no Brasil e no exterior.

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