Educação interrompida ainda afeta milhões no Brasileiros
- abril 8, 2026
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Dados do IBGE mostram que cerca de 9,1 milhões da população com 15 anos ou mais vivem em situação de analfabetismo.

Mesmo com avanços recentes, o Brasil ainda enfrenta um problema estrutural: milhões de pessoas não sabem ler ou escrever.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na PNAD Contínua 2024, mostram que cerca de 9,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais vivem em situação de analfabetismo. Esse número representa 5,3% da população nessa faixa etária.

Apesar de ser o menor índice desde 2016, o dado ainda revela um grande contingente de pessoas excluídas de direitos básicos, do mercado de trabalho e da participação social.
As diferenças entre regiões continuam marcantes. Estados do Nordeste concentram as maiores taxas.
Alagoas registra 14,3% de analfabetismo entre adultos. No Piauí, o índice chega a 13,8%. A Paraíba tem 12,8%, enquanto o Ceará apresenta 11,7%. Maranhão e Sergipe também superam os 10%.
Em contraste, Santa Catarina e o Distrito Federal registram taxas próximas de 2%. São Paulo e Rio de Janeiro mantêm índices entre 2% e 2,3%. Esse cenário mostra que, em alguns estados, mais de um em cada dez adultos ainda enfrenta dificuldades severas de alfabetização.
O desafio se torna ainda mais crítico entre pessoas com 60 anos ou mais. Nessa faixa etária, o analfabetismo supera a média nacional.
Especialistas destacam a necessidade de políticas públicas contínuas e ações integradas para reverter esse quadro.
Diante desse cenário, universidades têm ampliado seu papel social. Um exemplo é a campanha “Quando eu começo, alguém recomeça”, criada pelo Instituto YDUQS dentro do tradicional trote universitário.
A iniciativa mobiliza estudantes de instituições como Estácio, Wyden, IDOMED e Ibmec. Os alunos atuam como ponte de informação e apoio, indicando pessoas que não concluíram os estudos e auxiliando no acesso a programas gratuitos de alfabetização.
Mais do que engajamento, a campanha busca mapear o interesse por educação e fortalecer redes de apoio comunitário.
A ação transforma o trote universitário em uma mobilização social e estimula o protagonismo dos estudantes desde o início da graduação.
Para Cláudia Romano, presidente do Instituto YDUQS e vice-presidente do grupo educacional, a iniciativa reforça o papel estratégico da educação.
“O Brasil avançou, mas ainda convive com milhões de pessoas sem acesso pleno à alfabetização. Quando conectamos o início da vida universitária ao recomeço educacional de quem ficou para trás, ampliamos oportunidades reais”, afirma.
Segundo ela, o envolvimento dos estudantes fortalece a responsabilidade social das instituições e amplia o alcance das ações.
Desde 2018, o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos já impactou mais de 2.300 pessoas em 21 unidades, distribuídas por 11 estados.
A metodologia prioriza o público adulto e valoriza acolhimento, respeito e aplicação prática do conteúdo. A participação é voluntária e não envolve arrecadação financeira.
Neste ano, o programa conta com apoio do Instituto Equatorial e atuação em estados como Maranhão, Pará, Amapá, Piauí, Goiás e Alagoas.
A campanha também envolve a comunidade. Familiares, organizações sociais, igrejas e associações podem divulgar o programa e apoiar interessados na inscrição.
A proposta reforça o papel das instituições de ensino como agentes no enfrentamento das desigualdades educacionais.
A campanha do primeiro semestre de 2026 acontece entre 16 de março e 9 de maio. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site oficial do Instituto YDUQS.
A iniciativa busca transformar o início da vida universitária em uma oportunidade concreta de inclusão educacional e fortalecimento das comunidades.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
