Disputa por animais de estimação cresce na Justiça e muda acordos de separação
- abril 15, 2026
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Mesmo sem lei específica, tribunais têm adotado soluções que envolvem convivência, custeio e foco no bem-estar do animal
Mesmo sem lei específica, tribunais têm adotado soluções que envolvem convivência, custeio e foco no bem-estar do animal

O aumento no número de animais de estimação no Brasil tem impactado diretamente os processos de separação. Cada vez mais, casais que se divorciam levam à Justiça a decisão sobre quem ficará com o pet — e os tribunais já tratam o tema com mais atenção.

O país possui mais de 150 milhões de animais de estimação e pode chegar a 160 milhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).
Ao mesmo tempo, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o número de crianças caiu. Em 2022, o Brasil registrou cerca de 40,1 milhões de pessoas com até 14 anos — menos do que em 2010.
Esse cenário ajuda a explicar por que os pets ganharam papel central nas famílias — inclusive nos momentos de separação.
Quando o relacionamento termina, a definição sobre o animal de estimação deixou de ser apenas uma questão patrimonial.
Segundo a professora de Direito Marcela Caserta, da Universidade Estácio de Sá, o Judiciário já adota uma postura mais equilibrada:
“A Justiça brasileira tem superado a visão do animal como simples bem patrimonial e considera a relação afetiva envolvida.”
Critério principal é o cuidado no dia a dia
Entre os principais critérios estão:
A titularidade formal, como compra ou adoção, tem peso menor e não costuma ser decisiva.
A Justiça já aplica soluções semelhantes às de casos familiares.
Em muitos processos, os juízes definem:
Quando há conflito entre as partes, a decisão judicial pode estabelecer regras detalhadas para garantir o bem-estar do animal.

Além da convivência, os gastos com o pet também fazem parte dos acordos.
Mesmo sem previsão legal específica, a Justiça já admite a divisão de despesas, como:
Na prática, os tribunais podem determinar uma contribuição financeira periódica entre os responsáveis.
Se uma das partes descumprir o acordo ou decisão judicial, o caso pode voltar à Justiça.
O juiz pode aplicar medidas como multa para garantir o cumprimento das regras estabelecidas, especialmente em relação à convivência e aos cuidados com o animal.
Com o crescimento desse tipo de disputa, o Judiciário tem reforçado um ponto central: o bem-estar do animal deve prevalecer.
Mais do que definir “quem fica com o pet”, as decisões buscam garantir que o animal continue recebendo cuidados adequados, mesmo após o fim do relacionamento.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
