O que muda na Alerj e na bancada do Rio no Congresso?
- outubro 6, 2026
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Crescimento da direita não implicou redução da esquerda; migração partiu do centro e de partidos moderados

Passada a votação, é momento de analisar as novas composições dos parlamentos estadual e federal, para a nova legislatura que se inicia em 2027.

Começando pela Assembleia Legislativa, a nova composição eleita difere sensivelmente do cenário observado há quatro anos.
Em linhas gerais o PL é o grande vencedor, passando de 17 para 21 deputados, correspondentes a 30% da Assembleia. A sigla amealhou mais quatro cadeiras, e responde pela maior bancada do plenário, por grande margem.
O União Brasil, por outro lado, é o principal perdedor. O partido caiu de 8 para 4 cadeiras, sendo reduzido à metade da bancada eleita em 2022.
Destaques também para o PSD, que cresceu 50%, de 6 para 9 cadeiras, tornando-se, junto ao PT, a segunda maior bancada.
O PT, por sinal, também avançou, subindo de 7 para 9 cadeiras.
O PSOL, por sua vez. mantém exatamente as cinco cadeiras que já tinha, ao passo que o PP subiu de 4 para 5.
Desapareceram da composição os partidos Podemos, Avante, PMN, Patriota, PSC e PTB, dando lugar a Novo, PSDB, PRD e DC, com uma cadeira cada.
Também elegeram deputados Republicanos (3); MDB (2); PDT (2); Solidariedade (2); PSB (2); Agir (1) e PCdoB (1).
A composição da bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados reflete – e em alguns casos até amplifica – os mesmos fluxos observados no parlamento estadual.
De novo o PL registrou grande crescimento, saltando de 11 para 15 deputados, que em termos percentuais equivale a subir de 23,9% para 32,6% das cadeiras reservadas ao estado.
Também refletindo o cenário estadual, o União Brasil teve a maior perda: de 6 para apenas 1 deputado.
O PP cresceu de 3 para 5; a federação PT-PCdoB-PV passou de 6 para 8; o PSOL-Rede caiu de 5 para 4; o PSD manteve suas 4 cadeiras; o Republicanos caiu de 3 para 1; e o MDB de 2 para 1.
Os partidos Pode, Pros, PSB e PTB tinham uma cadeira em 2022, mas não elegeram deputado pelo RJ em 2026.
Em contrapartida, a coligação PSDB-Cidadania aparece com 4 cadeiras, enquanto Novo e PDT conquistaram uma cada.
Os números são claros ao demonstrar o crescimento da direita e da extrema direita, agora mais fortemente centralizada sob o guarda-chuva do PL, com notória desidratação de siglas satélites.
Importante notar, contudo, que a esquerda não perdeu representatividade significativa, e em diversos palcos até mesmo a ampliou, ainda que em patamar muito mais modesto.
De fato, o que os dados indicam é um esvaziamento do Centro, das representações moderadas – em muitos casos, as vozes ainda focadas no aprofundamento do debate de ideias e planos de ação -, em favor de extremos do espectro político, notoriamente à direita.
Os próximos quatro anos dirão se este fluxo terá sido suficiente para reduzir a influência do chamado “Centrão” sobre os rumos das principais pautas a tramitarem pelo Congresso e pelas assembleias legislativas, em especial a fluminense.
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