Sapo-pulga ganha novo registro em unidade de conservação do Inea
- outubro 15, 2026
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Reencontro da espécie na APA de Macaé de Cima reforça a importância das áreas protegidas para a conservação da Mata Atlântica
Reencontro da espécie na APA de Macaé de Cima reforça a importância das áreas protegidas para a conservação da Mata Atlântica

Menor que uma moeda de um centavo e com menos de 1 cm de comprimento, o Brachycephalus clarissae, conhecido como sapo-pulga, foi redescoberto na Região Serrana do Rio de Janeiro. A espécie, descrita pela ciência em 2022, foi reencontrada quatro anos depois em Nova Friburgo, na RPPN Alto da Figueira, reserva particular inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual de Macaé de Cima, gerida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

O Brachycephalus clarissae foi descrito originalmente por pesquisadores da Uerj, do Museu Nacional e da UFRJ, na Serra dos Órgãos. Quatro anos depois, a espécie foi reencontrada em um local diferente do da descrição original, em outro ponto da serra fluminense, dentro da APA Macaé de Cima. Os primeiros indivíduos foram avistados por estudantes de Biologia da Uerj durante uma aula de campo. Em seguida, outra equipe confirmou a presença do anfíbio, em trabalho realizado em colaboração com a equipe da APA Macaé de Cima, a RPPN Alto da Figueira e o Instituto CiênciasBio.
Conhecido também como pingo-de-ouro, o Brachycephalus clarissae é um anfíbio anuro da família Brachycephalidae, nativo do Brasil. Os machos medem até 9,6 mm e as fêmeas, até 10,9 mm. O dorso é marcadamente granular, com uma marca em formato de “X” e uma fileira mediana de pequenos tubérculos amarelos. A cor de fundo é amarela, com manchas vermelhas na região ventral e uma faixa marrom-escura nas laterais do corpo.
Como outras espécies do gênero, o sapo-pulga não passa pela fase de girino: sai do ovo já formado, como um sapinho em miniatura. Ele habita a serrapilheira – a camada de folhas e matéria orgânica que cobre o chão da floresta – de florestas montanhosas bem preservadas da Mata Atlântica.
Por viver nesse ambiente e ter uma distribuição restrita, cada novo registro da espécie tem grande relevância científica. O reencontro amplia o mapa conhecido de ocorrência do sapo-pulga e fornece dados valiosos para entender sua biogeografia. As implicações desses dados para a conservação da espécie ainda estão sendo analisadas pelos pesquisadores Izenita Brum e Miguel Relvas Ugalde.
Além disso, a redescoberta reafirma a importância e a efetividade das unidades de conservação, públicas e privadas, na proteção de populações de espécies endêmicas contra a perda de habitat e outras ameaças à biodiversidade da Mata Atlântica. No caso do sapo-pulga, a presença da espécie dentro de uma APA estadual e de uma RPPN mostra como a atuação conjunta entre poder público, proprietários privados e instituições de pesquisa contribui para manter a floresta em pé e proteger espécies ainda pouco conhecidas.
Com 35.037,99 hectares de Mata Atlântica, a APA Macaé de Cima abrange parte dos municípios de Nova Friburgo e de Casimiro de Abreu. Foi criada com o objetivo de proteger as bacias dos mananciais dos Rios Macaé de Cima, Bonito, das Flores e Santo Antônio, dentre outros.
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