DESTAQUEEconomiaGeral

Mulheres avançam no trabalho, mas recebem menos no Brasil

  • março 11, 2026
  • 0

Especialista aponta crescimento da participação feminina em diversas profissões, porém renda média continua inferior à masculina no país.

Mulheres avançam no trabalho, mas recebem menos no Brasil

Neste mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, o debate sobre igualdade de gênero ganha força no país. Apesar dos avanços nas últimas décadas, a desigualdade salarial ainda marca a trajetória das mulheres no mercado de trabalho brasileiro.

Publicidade

Especialistas observam que a presença feminina cresceu em diversas áreas profissionais. No entanto, desafios estruturais continuam limitando o acesso a cargos de liderança e a salários equivalentes aos dos homens. Essa análise é da advogada trabalhista e empresarial Andreza Molinário, professora do curso de Direito da Estácio.

advogada trabalhista e empresarial Andreza Molinário, professora do curso de Direito da Estácio.
Image por Estácio de SÁ – Andreza Molinário, advogada trabalhista e empresarial

Crescimento da presença feminina no mercado

Andreza afirma que a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro avançou de forma significativa nos últimos anos. Atualmente, as mulheres possuem maior qualificação e ampliaram sua presença em setores que historicamente eram ocupados apenas por homens.

Segundo a especialista, esse avanço aparece em áreas como transporte público, operação de máquinas pesadas, construção civil e até no serviço militar. Além disso, aumentou o número de mulheres empreendedoras e em cargos estratégicos dentro das organizações.

Outro fator relevante é o crescimento da escolaridade feminina. As mulheres passaram a ocupar maior espaço no ensino superior e em cursos especializados, o que fortaleceu sua presença no ambiente profissional.

Desigualdade salarial ainda persiste

Mesmo com esses avanços, a desigualdade salarial continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres no país.

De acordo com o quarto Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2025, mulheres recebiam em média 21,2% menos que os homens.

A advogada explica que essa diferença aparece com maior intensidade em cargos de liderança e gestão no setor privado. Funções técnicas também podem apresentar diferenças de remuneração.

Em contrapartida, setores com remuneração padronizada costumam apresentar maior equilíbrio. Funções operacionais e o serviço público possuem regras salariais mais claras, o que reduz a possibilidade de distorções.

Impactos da maternidade na carreira

Outro fator que influencia a desigualdade no mercado de trabalho é a maternidade. Muitas mulheres interrompem a carreira para dedicar tempo à criação dos filhos.

Esse afastamento pode afetar a progressão profissional e as oportunidades de crescimento dentro das empresas.

Historicamente, as mulheres também concentraram sua atuação em áreas com menor remuneração. Além disso, especialistas apontam que negociações salariais ainda ocorrem com menos frequência entre trabalhadoras.

A falta de transparência salarial dentro das empresas também dificulta a identificação de desigualdades e a correção dessas diferenças.

Leis garantem igualdade, mas aplicação ainda falha

Do ponto de vista jurídico, o Brasil possui uma base legal robusta para garantir igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

A Constituição Federal estabelece igualdade de direitos e proíbe diferenças salariais por motivo de sexo. A Consolidação das Leis do Trabalho também determina salário igual para trabalho de igual valor.

Outra medida importante foi a criação da Lei 14.611 de 2023, que reforça a igualdade salarial. A legislação exige que empresas com mais de 100 funcionários apresentem relatórios de transparência remuneratória.

Mesmo com essas normas, especialistas apontam que a aplicação prática ainda enfrenta dificuldades.

Caminhos para reduzir a desigualdade

Para reduzir as diferenças salariais, Andreza Molinário defende políticas mais transparentes dentro das empresas.

Entre as medidas apontadas estão planos claros de cargos e salários, critérios objetivos de avaliação profissional e transparência nos processos de promoção.

Programas de retorno após a licença-maternidade também podem ajudar na permanência das mulheres no mercado de trabalho. Flexibilização da jornada, trabalho remoto e capacitação das lideranças são estratégias consideradas importantes.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, especialistas afirmam que a desigualdade salarial ainda reflete fatores históricos e culturais presentes na sociedade brasileira.

Links Relacionados:

Governo municipal promete reajuste salarial para profissionais do Raul Sertã

Aumento vindo aí? Prefeito anuncia reajuste do piso salarial de professores a partir de junho

 

Compartilhe:
Publicidade