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Uso incorreto de medicamentos ainda preocupa especialistas

  • maio 12, 2026
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Automedicação, uso errado de antibióticos e misturas perigosas podem causar intoxicações e até mortes

Uso incorreto de medicamentos ainda preocupa especialistas

O uso irracional de medicamentos continua sendo um problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), a automedicação causa cerca de 20 mil mortes por ano no país.

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O alerta ganhou destaque no Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, celebrado em 5 de maio.

Mais da metade usa medicamentos de forma errada

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais da metade da população utiliza medicamentos de maneira incorreta.

O farmacêutico Arthur Luiz Correa explica que o uso racional começa na escolha do medicamento feita pelo profissional de saúde.

“A promoção do uso racional de medicamentos envolve uma série de etapas que começa com a seleção do medicamento pelo profissional de saúde. Essa escolha deve considerar o diagnóstico, as características e as necessidades do paciente”, explica.

Automedicação pode trazer riscos graves

Segundo o especialista, o uso inadequado pode causar falha no tratamento, agravamento da doença, intoxicações e interações perigosas.

“Entre os principais riscos estão a ineficácia do tratamento, agravamento do quadro clínico, intoxicações e interações medicamentosas perigosas. Em casos mais graves, essas situações podem exigir atendimento de urgência, hospitalização e até colocar a vida do paciente em risco”.

Arthur que é professor do curso de Farmácia da Estácio, destaca que muitas pessoas recorrem à automedicação para tratar sintomas simples, mas reforça que o uso deve acontecer com cautela e por pouco tempo.

Caso os sintomas não melhorem entre três e cinco dias, a recomendação é procurar atendimento médico.

O uso irracional de medicamentos continua sendo um problema de saúde pública no Brasil
O uso irracional de medicamentos continua sendo um problema de saúde pública no Brasil – imagem por: imídias sociais Estácio de Sá

Crianças, idosos e gestantes precisam de mais atenção

O professor alerta que a automedicação deve ser evitada principalmente entre:

  • Crianças
  • Idosos
  • Gestantes
  • Pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão

Segundo ele, esses grupos apresentam maior risco de complicações.

Mistura com alimentos também exige cuidado

O especialista também chama atenção para interações entre medicamentos e alimentos. Suplementos de ferro e cálcio, por exemplo, não devem ser consumidos junto com café, chá-mate ou chá-preto, porque essas bebidas dificultam a absorção dos nutrientes.

Outro exemplo envolve anticoagulantes. Segundo Arthur, substâncias como aspirina e até chás naturais com efeito anticoagulante podem aumentar o risco de hemorragias.

Uso errado de antibióticos aumenta resistência bacteriana

O uso incorreto de antibióticos também preocupa especialistas. Arthur lembra que esses medicamentos servem apenas para tratar infecções bacterianas e não funcionam contra gripe ou resfriado.

O uso sem prescrição médica ou a interrupção precoce do tratamento favorecem a resistência bacteriana e tornam futuras infecções mais difíceis de combater.

“Apesar das regulamentações da Vigilância Sanitária, que exigem retenção da receita para a compra de antibióticos, ainda é comum o uso de sobras de tratamentos anteriores ou de medicamentos obtidos com terceiros, o que representa um risco significativo à saúde”.

Responsabilidade é de todos

Para o especialista, o uso racional de medicamentos depende da atuação conjunta dos profissionais de saúde, dos pacientes e do próprio sistema de saúde.

“Seguir corretamente as orientações médicas, evitar a automedicação indiscriminada e buscar informação confiável são atitudes essenciais para garantir tratamentos eficazes e seguros”, conclui.

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