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VERITY: do livro às telas

  • outubro 8, 2026
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Adaptação do livro de Colleen Hoover chega aos cinemas com Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett.

VERITY: do livro às telas

Eu preciso começar essa análise com uma pequena confissão: Eu li Verity e li de novo – inteiro – antes de assistir ao filme.

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Então, quando entrei na sala de cinema para finalmente ver a adaptação do livro de Colleen Hoover, eu não estava chegando à história pela primeira vez. Eu já sabia o que aconteceria, conhecia os personagens, estava com a memória “refrescada” sobre as cenas e, principalmente, sabia exatamente quais elementos eu estava procurando na tela.

Talvez por isso minha experiência tenha sido diferente da de quem entrou no cinema sem nunca ter aberto o livro.
Mas vamos começar pelo começo.

Uma escritora, uma casa e muitos segredos

Verity acompanha Lowen Ashleigh, uma escritora que enfrenta dificuldades financeiras e recebe uma proposta inesperada: assumir o trabalho de ghostwriter (escritora fantasma) de Verity Crawford, uma autora de enorme sucesso que ficou impossibilitada de continuar sua série depois de um grave acidente.

A convite de Jeremy Crawford, marido de Verity, Lowen vai até a propriedade da família para conhecer o material deixado pela escritora e continuar os três últimos livros de sua série. O problema começa quando ela encontra um manuscrito que parece revelar pensamentos e acontecimentos muito mais perturbadores do que poderia imaginar.

A partir daí, Lowen precisa descobrir onde termina a ficção e começa a realidade.

E esse é justamente uma das coisas mais interessantes de Verity: a história faz o espectador desconfiar de tudo. O que está escrito é verdade? O que é invenção? Quem está contando a história? E, principalmente, em quem podemos confiar?

O filme é dirigido por Michael Showalter e tem roteiro de Nick Antosca, com Collen Hoover entre os produtores. No elenco principal estão Dakota Johnson como Lowen, Anne Hathaway como Verity e Josh Hartenett como Jeremy.

E falando em elenco: Anne Hathaway foi, para mim, um dos grandes destaques.

Anne Hathaway é Verity

Eu já tinha uma imagem muito específica de Verity na minha cabeça por causa do livro. Por isso, assistir Anne Hathaway ocupando aquele lugar foi uma experiência interessante.

Ela consegue construir uma personagem que prende a atenção mesmo quando está em silêncio. E isso é particularmente importante em uma história como essa, em que boa parte da tensão vem justamente da dúvida sobre o que está acontecendo naquela casa.

Dakota Johnson também conduz a história como Lowen, colocando o espectador dentro da perspectiva de uma personagem que, assim como nós, tenta entender o que está acontecendo ao seu redor. Josh Hartnett completa o trio principal como Jeremy.

Mas, para mim, Hathaway rouba algumas das cenas.

E o livro?

Agora chegamos à parte inevitável para quem, como eu, leu a obra original.

O filme é uma adaptação. E adaptações são adaptações.

Parece óbvio dizer isso, mas às vezes nós, leitores, entramos na sala de cinema esperando encontrar na tela exatamente aquilo que imaginamos enquanto líamos. Só que um livro e um filme contam histórias de maneiras diferentes.

E Verity tem algumas mudanças.

Muitas falas e cenas foram adaptadas de maneira bastante fiel ao livro, e isso me deixou feliz. Ao mesmo tempo, senti falta de alguns elementos que, para mim, poderiam ter funcionado muito bem no cinema.

O sonambulismo da Lowen, Chastin, a cena do cabide, a cena do vômito e outras situações ficaram de fora ou foram modificadas. Algumas dessas cenas, especialmente, tinham potencial para produzir no filme o mesmo desconforto que provocaram em mim durante a leitura.

E eu senti falta delas.

Não porque eu esperasse um “copia e cola” do livro, mas porque algumas dessas situações ajudavam a construir a atmosfera da história que eu conhecia.

O manuscrito

Se existe um elemento sobre o qual eu senti uma diferença ainda maior, é o manuscrito.

No livro, essa parte da história é muito mais pesada e desconfortável. No filme, a representação é consideravelmente mais leve.

E isso muda a experiência.

Quem conhece o livro provavelmente vai perceber essa diferença rapidamente. Para quem não conhece, porém, acredito que a experiência seja outra, porque o filme apresenta aquela história dentro da sua própria construção e não exige que o espectador tenha lido a obra original para acompanhar o que está acontecendo.

Tudo acontece muito rápido

Outra coisa que me chamou atenção foi o ritmo. As coisas acontecem muito rápido.

Em alguns momentos, uma cena termina e eu ainda estou tentando processar o que acabou de acontecer quando a história já está apresentando outra situação.

E talvez essa seja uma das principais diferenças entre ler Verity e assistir a Verity.

O livro permite que você pare. Você pode fechar a página, respirar, voltar algumas páginas, reler uma passagem ou simplesmente ficar alguns minutos pensando no que acabou de descobrir.

O filme precisa seguir em frente.
Com 1h54 de duração, a história precisa escolher o que permanece e o que fica de fora

Confesso que, para mim, duas horas e meia não seriam um problema. Eu teria assistido com mais entusiasmo.

Mais tempo poderia ter permitido desenvolver algumas relações, aprofundar determinados acontecimentos e manter elementos que fizeram diferença na construção do livro.

Mas também entendo que cinema tem outro ritmo. E que uma adaptação precisa encontrar seu próprio caminho.

Para quem leu o livro

Se você leu Verity, vá ao cinema sabendo que encontrará uma versão diferente da história.

Algumas cenas que você provavelmente espera encontrar não estarão lá. Algumas situações acontecerão de outra maneira. Determinados elementos serão apresentados com menos intensidade.

E, sim, você provavelmente vai passar boa parte do filme pensando: “No livro não é assim”. Em cada cena diferente que era apresentada na tela do cinema eu pensava “Está diferente do livro”.

Mas isso não significa que o filme não funcione. O que acontece é exatamente o contrário.

Em vários momentos, eu me senti completamente envolvida pela história. Consegui me assustar de verdade em algumas cenas e, segundos depois, rir porque o próprio susto acabou sendo engraçado.

E acho que isso diz bastante sobre a experiência de assistir a Verity: o filme consegue transitar entre tensão, estranhamento e momentos mais leves sem deixar de entreter.

E para quem não leu?

Aqui está uma das coisas que mais me interessaram depois de sair da sessão. Acredito que quem chegar ao filme sem conhecer o livro terá uma experiência bastante diferente da minha.

Sem a comparação constante com a obra original, é possível simplesmente acompanhar Lowen, entrar naquela casa e tentar descobrir, junto com ela, o que está acontecendo.

A história se sustenta por conta própria.

Eu, como leitora, estava sempre fazendo comparações. Quem não leu não terá essa distração.

E talvez seja justamente por isso que eu tenha conseguido enxergar o filme de duas maneiras ao mesmo tempo: como leitora, senti falta de muitas coisas; como espectadora, me diverti bastante.

Afinal, o que eu achei do filme?

Eu definitivamente gostei do filme.

E acho importante dizer isso depois de passar tantos parágrafos falando das coisas que senti falta.

Verity não é o livro que eu li projetado em uma tela. É uma nova versão daquela história.

Algumas escolhas funcionaram muito bem para mim. Outras, nem tanto. Algumas mudanças fizeram sentido dentro da linguagem cinematográfica, enquanto outras me deixaram pensando em como determinadas cenas poderiam ter sido ainda mais impactantes se tivessem permanecido.

Mas eu saí da sessão satisfeita. E isso é muito importante.

O filme conseguiu fazer aquilo que uma boa história de suspense precisa fazer: por algumas horas, me fez desconfiar, questionar e tentar entender o que estava acontecendo.

E, quando os créditos começaram, eu me percebi completamente confusa em relação à minha própria opinião sobre o manuscrito e a carta. Quando li o livro, achei que tinha certeza de que havia escolhido o lado verdadeiro da história. Depois do filme, porém, saí da sala com uma incerteza que não esperava sentir: afinal, qual era a verdade? Naquele momento, senti que Verity Crawford havia se tornado uma manipuladora ainda maior, porque, de alguma forma, eu também tinha sido manipulada a desconfiar de uma outra versão da história.

Talvez essa seja a maior qualidade de Verity como adaptação. Mesmo mudando coisas, cortando outras e tomando caminhos diferentes do livro, o filme ainda consegue provocar as dúvidas que estão no centro da história: qual verdade estava sendo manipulada? Manuscrito ou carta?

Se você leu o livro, vá preparado para encontrar uma versão diferente.
Se não leu, vá sem medo de não entender.
E, se me perguntarem se vale a pena assistir?
Eu diria simplesmente: “Assista. Depois a gente conversa sobre o que você achou!”

Agora eu quero saber de você: você já leu Verity antes de assistir ao filme? Ou chegou ao cinema sem conhecer a história?

Quero saber se a experiência de vocês foi parecida com a minha ou se enxergaram a adaptação de uma maneira completamente diferente. E, para quem já assistiu, fica a pergunta que provavelmente vai render uma boa conversa: manuscrito ou carta?

Classificação indicativa:

O filme Verity possui classificação indicativa 16 anos

Assista ao trailer:

YouTube player

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