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Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue

  • junho 9, 2026
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A decisão ocorreu após registro de reações adversas graves

Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com a vacina Butantan-DV. A medida interrompe a aplicação do imunizante enquanto autoridades investigam eventos raros e inesperados identificados após o início da vacinação.

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A decisão ocorreu em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e segue o princípio da precaução adotado em programas de imunização.

Casos em investigação

O sistema de farmacovigilância registrou 42 casos com sinais de alerta entre cerca de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Os sintomas incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.

Três casos foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Até o momento, os investigadores não estabeleceram relação direta entre as mortes e a vacina.

Segundo o Ministério da Saúde, os eventos representam cerca de 0,008% do total de doses aplicadas.

“O Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan precisam aprofundar a investigação dos casos, especialmente dos óbitos registrados, para os quais ainda não existem informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina“, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Onde a vacina era aplicada

A estratégia de vacinação começou em janeiro deste ano. O Ministério direcionou o imunizante para profissionais da Atenção Primária à Saúde e para pessoas de 15 a 49 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO).

As doses já distribuídas permanecerão armazenadas nas unidades de saúde até a conclusão das investigações.

 

Comunicado vacinação contra dengue
Comunicado vacinação contra dengue

 

Município segue orientação

A Secretaria Municipal de Saúde informou que seguiu imediatamente a recomendação do Ministério da Saúde e suspendeu a aplicação da vacina do Instituto Butantan.

No município do Rio de Janeiro, a campanha começou em fevereiro deste ano e contemplava exclusivamente profissionais da saúde. Até a suspensão, a rede aplicou 7.002 doses sem registrar eventos adversos graves.

A medida afeta apenas a vacina Butantan-DV. A vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda e aplicada em adolescentes de 10 a 14 anos desde 2024, continua disponível normalmente para o público-alvo.

Monitoramento continua

O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não invalida os resultados de eficácia observados até o momento. Nos estudos clínicos, a vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a dengue e de 80,5% contra casos graves.

Mais de 11 mil voluntários participaram das pesquisas clínicas, que acompanharam os participantes por até cinco anos antes da aprovação da vacina pela Anvisa, em dezembro de 2025.

As autoridades também destacam que a identificação dos eventos demonstra o funcionamento dos mecanismos de segurança e vigilância adotados após a introdução de novos imunizantes no Sistema Único de Saúde (SUS).

Orientação para quem já se vacinou

Quem recebeu a vacina deve observar o estado de saúde durante 21 dias após a aplicação.

O Ministério recomenda procurar atendimento médico imediatamente em caso de:

  • Febre;
  • Dor abdominal intensa;
  • Vômitos persistentes;
  • Sangramentos;
  • Tontura;
  • Sonolência excessiva;
  • Sinais de desidratação;
  • Piora do estado geral.

As equipes de saúde também reforçarão a vigilância de pacientes vacinados que apresentarem sintomas compatíveis com dengue.

Combate à dengue continua

Apesar da suspensão temporária da Butantan-DV, o Ministério da Saúde mantém todas as demais ações de combate à dengue.

Até o fim de maio, o Brasil registrou queda de 94% nos casos prováveis da doença em comparação com o mesmo período de 2024. O número caiu de 5,8 milhões para 365 mil registros.

Os óbitos também apresentaram redução de 97%, passando de mais de 6,3 mil mortes em 2024 para 178 neste ano.

Além da vacinação com a Qdenga, o governo mantém ações de vigilância epidemiológica, eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, distribuição de inseticidas e capacitação de profissionais de saúde.

As autoridades reforçam que a participação da população continua fundamental. A recomendação é eliminar recipientes com água parada, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas regularmente e permitir o acesso dos agentes de combate às endemias.

 

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