Especialistas alertam para Super El Niño na região Serrana do RJ
- junho 9, 2026
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Estudos indicam risco de temperaturas extremas, chuvas intensas e eventos climáticos severos, enquanto moradores lembram a tragédia de 2011
Estudos indicam risco de temperaturas extremas, chuvas intensas e eventos climáticos severos, enquanto moradores lembram a tragédia de 2011
Estudos indicam risco de calor intenso e chuvas fortes. Moradores ainda convivem com a lembrança da tragédia de 2011.

Quinze anos após a maior tragédia climática do Brasil, a possibilidade de um Super El Niño volta a preocupar a Região Serrana do Rio. Em 2011, as chuvas deixaram mais de 900 mortos e marcaram a história das cidades da região.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de chance de o fenômeno se formar até julho. O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento acima do normal.
O coordenador do Laboratório de Monitoramento e Modelagem de Sistema Climático (Lammoc) da UFF, Márcio Cataldi, afirma que as simulações indicam um inverno diferente do habitual.
Junho, julho e o início de agosto podem registrar mais chuva do que a média. Depois, a tendência é de um período seco entre agosto e dezembro. Esse intervalo pode trazer ondas de calor e aumentar o risco de incêndios.
Na segunda quinzena de dezembro, o cenário pode mudar. A expectativa é de chuvas prolongadas e volumosas.
O meteorologista Fabio Hochleitner, do Lamce/UFRJ, alerta para o aumento das temperaturas na Região Serrana.
Segundo ele, o calor favorece a formação de tempestades convectivas. Esses eventos costumam provocar chuva intensa em pouco tempo, além de rajadas de vento, raios e granizo.
Nas áreas montanhosas, essas condições podem causar enxurradas, deslizamentos e transbordamento de rios.
Os pesquisadores ressaltam que as previsões ainda podem mudar nos próximos meses.
O coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, afirma que ainda é cedo para definir a intensidade do fenômeno.
A expectativa é que o El Niño ganhe força ao longo do segundo semestre. O pico pode ocorrer entre o fim deste ano e o início do próximo.
Para o especialista, os municípios precisam manter planos permanentes de prevenção para eventos extremos.
Além do clima, a ocupação de áreas de risco preocupa especialistas e lideranças comunitárias.
Em Teresópolis, moradores do bairro Caleme relatam novas construções em encostas atingidas pela tragédia de 2011.
“Estamos preocupados com o El Niño, porque muitas pessoas continuam morando em áreas de risco“, afirma Lucineia da Silva, líder do movimento de apoio às vítimas.
Em Nova Friburgo, o presidente do Instituto Friburgo Solidário, Luiz Cláudio Rosa, também demonstra preocupação com o volume de chuva registrado nos últimos anos.
A Prefeitura de Petrópolis informou que investe em obras de contenção e drenagem. O município também utiliza um radar meteorológico operado pela Defesa Civil.
A Prefeitura de Nova Friburgo destaca que a cidade não registra mortes por eventos climáticos desde 2011. O município também iniciou as obras da chamada Barreira Sabo, estrutura destinada à contenção de detritos.
Já a Prefeitura de Teresópolis informa que mantém ações permanentes de prevenção, monitoramento e preparação para eventos climáticos extremos.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
