Especialista explica quando IA pode gerar punições nas eleições
- agosto 25, 2026
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Uso de conteúdos falsos e deepfakes pode resultar em sanções eleitorais e até cassação de candidatura
Uso de conteúdos falsos e deepfakes pode resultar em sanções eleitorais e até cassação de candidatura
A inteligência artificial ganhou espaço nas campanhas eleitorais e ampliou as possibilidades de produção e divulgação de conteúdos. Ao mesmo tempo, a tecnologia trouxe novos desafios para a Justiça Eleitoral.

Imagens, vídeos e áudios manipulados podem atribuir declarações ou comportamentos falsos a candidatos. Em casos mais graves, esse tipo de conteúdo pode influenciar a decisão dos eleitores e comprometer a confiança no processo eleitoral.
Segundo Francisco Nascimento, advogado e professor de Direito Constitucional da Estácio, o principal risco envolve conteúdos que apresentam situações inexistentes como se fossem reais.
“Quando utilizada para atribuir a candidatos declarações ou comportamentos que nunca existiram, a tecnologia deixa de representar apenas uma inovação e passa a oferecer um risco concreto à legitimidade das eleições.”
O especialista também alerta para a velocidade de disseminação desses conteúdos nas redes sociais. Um vídeo manipulado pode alcançar milhares de pessoas antes que autoridades ou usuários identifiquem a falsificação.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou regras específicas para o uso de inteligência artificial durante a campanha.
As normas exigem transparência na divulgação de conteúdos sintéticos e proíbem deepfakes capazes de induzir o eleitor ao erro.
Dependendo da gravidade da conduta, a Justiça Eleitoral pode enquadrar o caso como propaganda irregular, abuso dos meios de comunicação ou abuso de poder.
Essas situações podem gerar diferentes sanções e, nos casos mais graves, resultar na cassação do registro ou do diploma do candidato.
Para Francisco Nascimento, a regulamentação busca equilibrar o avanço tecnológico com a proteção do processo democrático.
“A Constituição garante a liberdade de expressão, mas nenhum direito fundamental é absoluto. Regulamentar o uso da inteligência artificial não significa restringir o debate político, e sim impedir que a tecnologia seja utilizada como instrumento de fraude eleitoral”, explica.
O professor destaca que a inteligência artificial não representa, por si só, uma ameaça à democracia. O problema surge quando alguém utiliza a ferramenta para fabricar informações e influenciar indevidamente a decisão do eleitor.
Com o avanço do uso da IA nas eleições, o especialista considera fundamental ampliar a educação digital e a fiscalização.
A orientação é que candidatos e eleitores conheçam as regras e tenham atenção redobrada diante de conteúdos que circulam nas redes sociais.
A identificação clara de conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial também ajuda a preservar a transparência e a confiança no processo eleitoral.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting