Nova Friburgo está entre os municípios do estado do Rio de Janeiro com maior risco de deslizamentos de terra, segundo levantamento divulgado pelo MapBiomas nesta ultíma quarta-feira, 4. A cidade aparece ao lado de Angra dos Reis, Petrópolis e Teresópolis entre as quatro representantes fluminenses no grupo das dez cidades com maior risco no país.
O estudo relaciona a expansão urbana sem planejamento à redução das áreas verdes. A perda de vegetação pode agravar os impactos de eventos climáticos, como deslizamentos e inundações, especialmente em regiões com ocupação de encostas.
O levantamento também aponta que o estado do Rio de Janeiro concentra a maior área de favelas do país sob risco de deslizamentos: são 781 hectares.
Urbanização cresceu mais de 130% em 40 anos
De acordo com o MapBiomas, a área urbanizada no Brasil aumentou 132% entre 1985 e 2025. O território ocupado pelas cidades passou de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares no período.
Nas favelas, a expansão foi ainda maior, com crescimento de 150%. A área urbanizada nessas comunidades passou de 60,2 mil hectares, em 1985, para 151,7 mil hectares, em 2025.
Ao mesmo tempo, a vegetação perdeu espaço. Segundo o levantamento, 77,6% das comunidades brasileiras perderam pelo menos 10% da cobertura vegetal ao longo de quatro décadas.
O coordenador do MapBiomas, Julio Pedrassoli, explica que as imagens de satélite permitem acompanhar o avanço da urbanização. Ele também destaca que o adensamento e a verticalização modificam a forma como esse crescimento acontece.
Perda de áreas verdes também afeta a temperatura
A redução da vegetação não está relacionada apenas ao risco de deslizamentos. Ela também pode contribuir para o aumento das temperaturas nas áreas urbanas.
O sociólogo e planejador urbano de favelas Alan Brum cita medições realizadas em comunidades do Rio de Janeiro. Na Maré, por exemplo, os registros apontaram temperaturas de 3% a 5% maiores dentro da favela, podendo chegar a 10% em alguns pontos, na comparação com o entorno.
Segundo o especialista, esse cenário está associado ao modelo de ocupação urbana que substitui áreas verdes por construções e pavimentação.
Urbanização verde como alternativa
No Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, uma iniciativa busca desenvolver alternativas para reduzir esses impactos. O projeto reúne o Instituto Raízes em Movimento, a Escola de Arquitetura da UFRJ, a Prefeitura do Rio e moradores da comunidade.
Após três anos de pesquisa, a proposta recebeu R$ 210 milhões do governo federal. O objetivo é desenvolver uma metodologia de urbanização verde que possa ser aplicada em outras comunidades.
Entre as intervenções previstas estão a arborização de ruas, a criação de pomares e a implantação de hortas comunitárias. Além de ampliar a vegetação, as ações também podem gerar oportunidades de renda para os moradores.
Para Alan Brum, a participação da população é fundamental na construção das soluções. A proposta busca transformar as intervenções em uma política pública que considere as características e as necessidades de cada comunidade.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting