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Friburgo está entre as cidades do RJ com maior risco de deslizamentos

  • novembro 6, 2026
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Levantamento identifica quatro municípios fluminenses entre os dez mais vulneráveis do país. Estudo também aponta avanço da urbanização e perda de cobertura vegetal nas comunidades brasileiras

Friburgo está entre as cidades do RJ com maior risco de deslizamentos

Nova Friburgo está entre os municípios do estado do Rio de Janeiro com maior risco de deslizamentos de terra, segundo levantamento divulgado pelo MapBiomas nesta ultíma quarta-feira, 4. A cidade aparece ao lado de Angra dos Reis, Petrópolis e Teresópolis entre as quatro representantes fluminenses no grupo das dez cidades com maior risco no país.

O estudo relaciona a expansão urbana sem planejamento à redução das áreas verdes. A perda de vegetação pode agravar os impactos de eventos climáticos, como deslizamentos e inundações, especialmente em regiões com ocupação de encostas.

O levantamento também aponta que o estado do Rio de Janeiro concentra a maior área de favelas do país sob risco de deslizamentos: são 781 hectares.

Urbanização cresceu mais de 130% em 40 anos

De acordo com o MapBiomas, a área urbanizada no Brasil aumentou 132% entre 1985 e 2025. O território ocupado pelas cidades passou de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares no período.

Nas favelas, a expansão foi ainda maior, com crescimento de 150%. A área urbanizada nessas comunidades passou de 60,2 mil hectares, em 1985, para 151,7 mil hectares, em 2025.

Ao mesmo tempo, a vegetação perdeu espaço. Segundo o levantamento, 77,6% das comunidades brasileiras perderam pelo menos 10% da cobertura vegetal ao longo de quatro décadas.

O coordenador do MapBiomas, Julio Pedrassoli, explica que as imagens de satélite permitem acompanhar o avanço da urbanização. Ele também destaca que o adensamento e a verticalização modificam a forma como esse crescimento acontece.

Perda de áreas verdes também afeta a temperatura

A redução da vegetação não está relacionada apenas ao risco de deslizamentos. Ela também pode contribuir para o aumento das temperaturas nas áreas urbanas.

O sociólogo e planejador urbano de favelas Alan Brum cita medições realizadas em comunidades do Rio de Janeiro. Na Maré, por exemplo, os registros apontaram temperaturas de 3% a 5% maiores dentro da favela, podendo chegar a 10% em alguns pontos, na comparação com o entorno.

Segundo o especialista, esse cenário está associado ao modelo de ocupação urbana que substitui áreas verdes por construções e pavimentação.

Urbanização verde como alternativa

No Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, uma iniciativa busca desenvolver alternativas para reduzir esses impactos. O projeto reúne o Instituto Raízes em Movimento, a Escola de Arquitetura da UFRJ, a Prefeitura do Rio e moradores da comunidade.

Após três anos de pesquisa, a proposta recebeu R$ 210 milhões do governo federal. O objetivo é desenvolver uma metodologia de urbanização verde que possa ser aplicada em outras comunidades.

Entre as intervenções previstas estão a arborização de ruas, a criação de pomares e a implantação de hortas comunitárias. Além de ampliar a vegetação, as ações também podem gerar oportunidades de renda para os moradores.

Para Alan Brum, a participação da população é fundamental na construção das soluções. A proposta busca transformar as intervenções em uma política pública que considere as características e as necessidades de cada comunidade.

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