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Eleições 2026: inteligência artificial transforma propaganda eleitoral

  • setembro 24, 2026
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Deep fakes e conteúdos sintéticos ampliam possibilidades de comunicação, enquanto novas regras buscam garantir transparência e proteger o processo eleitoral

Eleições 2026: inteligência artificial transforma propaganda eleitoral

A inteligência artificial ganhou espaço na comunicação política e chega às Eleições 2026 com novas possibilidades para campanhas e eleitores.

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Ferramentas de IA já conseguem produzir textos, imagens, vídeos e vozes em poucos segundos. A tecnologia permite adaptar mensagens para diferentes públicos, mas também facilita a criação de conteúdos que simulam situações ou declarações que nunca aconteceram.

O avanço também muda a forma como parte do público busca informações. O Digital News Report 2025, do Reuters Institute, apontou que 9% dos brasileiros entrevistados usaram chatbots de inteligência artificial para acessar notícias. Em 2026, o levantamento registrou crescimento global: 10% dos entrevistados em 48 mercados disseram usar chatbots para notícias, contra 7% no ano anterior.

Esse cenário acrescenta uma nova camada ao debate eleitoral. Além de consumir conteúdos produzidos por campanhas e usuários, o eleitor pode recorrer a ferramentas de IA para buscar informações sobre candidatos, propostas e acontecimentos políticos.

Campanhas ganham novas ferramentas

Para Estela Siqueira, coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Estácio Petrópolis, o principal desafio está em conciliar inovação e credibilidade.

“A inteligência artificial amplia enormemente as possibilidades de criação de uma campanha. É possível produzir conteúdos mais segmentados, adaptar uma mesma mensagem para diferentes públicos e testar formatos com uma velocidade que seria impensável alguns anos atrás.”

Segundo a professora, a transparência também precisa acompanhar o avanço tecnológico.

“Quanto mais realista for um conteúdo sintético, maior é a responsabilidade de informar o eleitor sobre como ele foi produzido.”

A tecnologia pode auxiliar campanhas em tarefas como análise de dados, planejamento, produção de diferentes versões de uma peça e personalização de mensagens.

O uso, porém, encontra limites nas regras eleitorais quando envolve manipulação de conteúdos ou tentativa de interferir de forma irregular na escolha do eleitor.

TSE estabelece regras para uso de IA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou as regras para a propaganda eleitoral de 2026 e estabeleceu exigências específicas para conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial.

Quando uma propaganda utilizar conteúdo sintético multimídia, o responsável deve informar de maneira explícita, destacada e acessível que houve uso de IA ou tecnologia equivalente. A identificação também deve indicar a tecnologia utilizada.

A Justiça Eleitoral também proíbe o uso de deep fake para favorecer ou prejudicar candidaturas. O TSE definiu, em setembro, critérios para caracterizar esse tipo de conteúdo nas eleições deste ano.

Além disso, a circulação de novos conteúdos sintéticos que alterem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas fica proibida nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao pleito, mesmo quando o material estiver identificado.

IA também entra na busca por candidatos

O desafio não envolve apenas aquilo que as campanhas produzem. As próprias ferramentas de inteligência artificial passaram a ocupar espaço na busca por informações políticas.

As regras do TSE determinam que provedores que ofereçam sistemas de IA não podem ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidaturas, partidos, federações ou coligações, mesmo quando o usuário solicitar esse tipo de indicação.

O Ministério Público Eleitoral também acompanha o cumprimento das normas. Segundo o Ministério Público Federal, cabe ao MP Eleitoral fiscalizar possíveis irregularidades relacionadas ao uso da internet e da inteligência artificial durante o processo eleitoral.

Para Estela Siqueira, isso cria uma nova discussão sobre a mediação das informações políticas.

“A questão deixa de ser apenas quem está produzindo a mensagem e passa a envolver também quem está mediando essa mensagem.”

Ela acrescenta que uma pergunta feita a uma ferramenta de IA sobre candidatos envolve uma nova forma de acesso à informação política.

“Isso traz uma discussão importante para o Jornalismo, a Publicidade e também para a própria democracia.”

Comunicação exige mais verificação

O avanço da inteligência artificial também muda a rotina dos profissionais de comunicação.

Para Estela, jornalistas e publicitários precisam ampliar a atenção sobre a origem dos conteúdos, possíveis manipulações e diferenças entre criação e fraude.

“A tecnologia não elimina o trabalho do comunicador; ao contrário, exige profissionais ainda mais preparados para compreender como essas ferramentas funcionam e quais são seus impactos.”

Nas Eleições 2026, a disputa pela atenção do eleitor ocorre em um ambiente no qual imagens, áudios e vídeos podem ser produzidos e modificados rapidamente.

Nesse cenário, a verificação das informações passa a acompanhar a velocidade de circulação dos conteúdos.

Para Estela, a confiança terá papel central nesse processo.

“A disputa não será apenas pela atenção do eleitor, mas também pela confiança.”

Ela destaca que, diante da possibilidade de manipulação de imagens, vozes e vídeos, a credibilidade se torna um elemento fundamental da comunicação política.

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