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8 de setembro: Dia Internacional da Alfabetização

  • setembro 8, 2026
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Saber falar e não saber ler é a realidade de muitos brasileiros que convivem com o analfabetismo

8 de setembro: Dia Internacional da Alfabetização

Saber ler e escrever faz parte de atividades presentes em praticamente todos os momentos do dia. Placas, documentos, receitas médicas, contratos, aplicativos e mensagens exigem algum domínio da escrita.

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Para quem não teve acesso à alfabetização, tarefas consideradas simples podem representar insegurança e dependência. A dificuldade também pode levar ao silêncio por medo de julgamentos.

A frase “eu sei falar, mas não sei ler” resume a realidade de pessoas que trabalham, cuidam da família, circulam pela cidade e constroem suas histórias, mas enfrentam obstáculos diante da palavra escrita.

Nesse contexto, a alfabetização deixa de representar apenas uma etapa educacional. Ela também se relaciona diretamente com autonomia, dignidade e exercício da cidadania.

Aprender para ganhar independência

Com o objetivo de mudar essa realidade, o Instituto Yduqs mantém o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos.

A iniciativa conta atualmente com mais de 20 unidades no país, cerca de 100 educadores e mais de 2,5 mil alunos formados.

Na Estácio, a coordenadora das Licenciaturas e do Programa de Alfabetização do Instituto Yduqs, Laís Lira, destaca que o processo vai além do reconhecimento de letras e da formação de palavras.

Segundo ela, a metodologia busca oferecer uma alfabetização funcional, capaz de ajudar os estudantes a enfrentar situações presentes na rotina.

Em uma sociedade letrada, na qual atividades aparentemente simples exigem conhecimentos de leitura e escrita para serem realizadas, a nossa metodologia de ensino tem o objetivo de trazer a esse aluno, que não teve acesso à escolarização ou precisou interromper seus estudos ao longo da vida, uma alfabetização funcional e que gera, a cada encontro, autonomia para resolver problemas cotidianos, como também, para minimizar sentimentos de dependência e exclusão.”

Estratégias para lidar com um mundo escrito

Sem o domínio da leitura, muitas pessoas criam maneiras próprias de contornar as dificuldades.

Alguns decoram trajetos, reconhecem produtos pelas embalagens ou pedem ajuda para identificar endereços. Outras recorrem a familiares e pessoas próximas para ler mensagens e preencher documentos.

Essas estratégias podem esconder histórias marcadas por diferentes desigualdades. Entre elas estão a necessidade de trabalhar desde cedo, a falta de acesso à escola, a evasão escolar, a pobreza e a distância dos serviços educacionais.

Também existem casos em que a pessoa frequentou a escola, mas não conseguiu desenvolver as habilidades necessárias para ler e escrever com autonomia.

Para Laís, cada avanço representa uma conquista que ultrapassa os limites da sala de aula.

“Diante de tantos cenários difíceis, cada palavra decifrada, cada mensagem compreendida e cada documento que passa a ser lido de forma independente representa uma conquista que ultrapassa os limites da sala de aula.”

Ela também reforça que o aprendizado pode fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar as possibilidades de participação social.

Leitura que muda a vida

Aos 62 anos, Vanda Maria de Araújo Lima conhece na prática as mudanças provocadas pelo aprendizado.

Ela conta que hoje consegue compreender textos que antes pareciam inacessíveis. Entre as conquistas está a possibilidade de ler uma receita médica quando a letra aparece de forma legível.

“É muito bom a gente olhar para alguma coisa na nossa frente e saber o que está escrito. Se eu pegar uma receita médica, por exemplo, se for letra de forma, eu consigo ler tudinho!”

Para Vanda, reconhecer palavras em lugares por onde já passou também traz uma sensação diferente.

“É muito bom passar por um lugar por onde a gente já passou antes, olhar para as coisas que já viu e, hoje, conseguir saber o que está escrito. É uma sensação muito boa!”

A estudante também faz questão de incentivar outras pessoas que enfrentam dificuldades semelhantes.

“Eu também tenho minhas dificuldades, mas não precisa ficar cismado achando que a pessoa vai para a escola e não vai aprender. Aprende, sim! É só se dedicar que a gente consegue.”

Vanda começou o processo praticamente sem saber ler e hoje comemora a própria evolução.

“Eu comecei praticamente sem saber nada e, graças a Deus, hoje eu sei ler o que está na minha frente. É muito boa essa sensação de olhar para uma coisa e saber o que está escrito.”

Alfabetização como cidadania

Mais do que compreender palavras, o domínio da leitura pode ampliar a capacidade de tomar decisões no cotidiano.

Ler uma mensagem, entender uma informação, identificar um medicamento, compreender um documento ou acompanhar uma notícia são ações que fortalecem a independência.

Para Laís, esse processo também deve contribuir para uma sociedade na qual ninguém precise esconder a própria dificuldade.

Precisamos construir uma sociedade em que ninguém precise se esconder, garantindo que a pessoa que aprendeu a falar, trabalhar, cuidar, sonhar e sobreviver também tenha a oportunidade de decifrar as palavras que organizam o mundo ao seu redor garantindo à ela muito mais sentido e oportunidades.”

A alfabetização, nesse sentido, representa uma oportunidade de ampliar escolhas e fortalecer a participação social em diferentes espaços da vida.

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