Abstinência de álcool cresce entre jovens no Brasil
- maio 4, 2026
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Movimento abrange pessoas de 18 a 34 anos e reflete novas prioridades ligadas à saúde mental, bem-estar e influência de movimentos digitais
Movimento abrange pessoas de 18 a 34 anos e reflete novas prioridades ligadas à saúde mental, bem-estar e influência de movimentos digitais

A relação dos jovens brasileiros com o álcool passa por uma transformação significativa. Levantamento da Ipsos-Ipec, encomendado pelo CISA, mostra que a taxa de abstinência entre pessoas de 18 a 24 anos subiu de 46% em 2023 para 64% em 2025. Entre adultos de 25 a 34 anos, o índice avançou de 47% para 61%.

Para Zacarias Ramalho, docente de Psicologia da Estácio,o fenômeno reflete mudanças mais amplas. “A Psicologia não trata o aumento da abstinência como algo isolado, mas como resultado de transformações culturais, cognitivas e emocionais que acontecem ao mesmo tempo”, explica.
O especialista aponta a maior consciência sobre saúde mental e bem-estar como um dos principais fatores. “O acesso a estratégias que ajudam a reduzir sintomas de ansiedade e depressão também influencia diretamente o comportamento de consumo”, acrescenta.
Movimentos nas redes sociais ampliam o debate sobre consumo consciente de álcool, especialmente entre jovens. Perfis como o @temgentequenaobebe incentivam reflexões sobre hábitos automáticos, sem adotar tom moralista.
A iniciativa ganhou visibilidade com a parceria com o Ministério da Saúde e colaborações com artistas, como João Gomes.
Em depoimento publicado no perfil, o cantor relatou mudanças na própria relação com a bebida.

“É muito sobre como lidar com as emoções. A gente não aprende a beber”, afirmou.
Segundo Zacarias Ramalho, esse tipo de conteúdo ajuda a romper padrões. “O consumo de álcool muitas vezes segue ciclos repetitivos. Quando a pessoa não desenvolve mecanismos de resiliência, mantém esse comportamento. Questionar esses ciclos é o primeiro passo para a mudança”, diz.
O especialista também observa que a estética das redes sociais, que valoriza equilíbrio, autocuidado e bem-estar, reforça esse movimento. “É importante evitar padrões inalcançáveis, já que cada pessoa tem limites e potenciais diferentes”, alerta.
Se a tendência se mantiver, a redução no consumo de álcool pode trazer impactos positivos para a saúde mental e os hábitos sociais. “Podemos observar menos transtornos do sono e mais adesão a comportamentos saudáveis”, afirma o docente.
Na saúde física, os efeitos também aparecem. A Organização Mundial da Saúde reforça que não existe nível seguro para o consumo de álcool. Em publicação na revista The Lancet Public Health, o órgão destacou que qualquer quantidade pode causar danos ao organismo, incluindo aumento do risco de câncer.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
