12 anos após a Copa, arenas revelam desafios do planejamento urbano
- junho 16, 2026
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Especialista analisa o legado dos estádios construídos para a Copa de 2014 e alerta para os impactos da falta de planejamento a longo prazo
Especialista analisa o legado dos estádios construídos para a Copa de 2014 e alerta para os impactos da falta de planejamento a longo prazo
Passados 12 anos da Copa do Mundo realizada no Brasil, muitas das grandes arenas construídas para o torneio continuam no centro do debate sobre gestão urbana e uso de recursos públicos. Se durante o evento os estádios simbolizaram modernização e desenvolvimento, hoje parte dessas estruturas enfrenta dificuldades para se manter economicamente viável.

O tema reacende discussões sobre o chamado “elefante branco”, expressão usada para definir obras de grande porte que, após a inauguração, perdem utilidade ou passam a gerar altos custos de manutenção.
Para o arquiteto e professor dos cursos de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, Marcelo Monteiro, o sucesso de uma grande obra não depende apenas da sua construção.
“O verdadeiro teste de um projeto está no seu ciclo de vida, ou seja, na capacidade de permanecer útil e sustentável ao longo dos anos. Quando gestores erguem grandes arenas sem planejar o uso futuro, o patrimônio pode se transformar em um problema”, explica.
Segundo o especialista, o planejamento de longo prazo precisa considerar fatores como demanda local, potencial econômico, mobilidade urbana e capacidade de atrair eventos permanentes.
Marcelo cita a Arena da Amazônia, em Manaus, e o Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, como exemplos de estruturas que enfrentam desafios para manter a ocupação e equilibrar os custos de operação.
“Esses estádios receberam investimentos bilionários. No entanto, a ausência de um mercado esportivo local capaz de garantir público frequente dificulta a sustentabilidade financeira. Sem uma agenda constante de eventos, as arenas acabam consumindo recursos apenas para manter sua estrutura funcionando”, avalia.
De acordo com ele, a falta de utilização contínua transforma esses equipamentos em passivos financeiros para o poder público.
Por outro lado, algumas arenas conseguiram construir um modelo mais eficiente de funcionamento.
O professor destaca o Mineirão, em Belo Horizonte, e o Beira-Rio, em Porto Alegre, como exemplos de estruturas que mantêm atividades permanentes e ampliam suas fontes de receita.
“Esses espaços se consolidaram como complexos multiuso. Eles recebem eventos esportivos, shows, atividades comerciais e ações de lazer. Esse modelo garante maior movimentação e reduz a dependência exclusiva do futebol”, afirma.
Para o especialista, a diferença entre os casos de sucesso e os que enfrentam dificuldades está diretamente ligada ao planejamento urbano e à estratégia de ocupação adotada após a Copa.

Marcelo Monteiro defende que os desafios enfrentados por algumas arenas oferecem importantes aprendizados para futuros projetos de grande porte.
“Hoje, arquitetos e urbanistas precisam analisar não apenas a obra em si, mas também seus impactos econômicos, sociais e urbanos. O legado da Copa de 2014 mostra a importância de pensar na viabilidade de longo prazo antes de investir em grandes intervenções”, destaca.
Segundo ele, cidades inteligentes exigem planejamento capaz de gerar benefícios permanentes para a população.
“Discutir os acertos e erros desse legado ajuda a construir projetos mais eficientes, sustentáveis e conectados às necessidades reais das cidades. O objetivo deve ser criar espaços que gerem valor para a população, e não custos permanentes para as próximas gerações”, concluiu.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
