Alerj amplia debate sobre prevenção ao suicídio no Setembro Amarelo
- setembro 11, 2026
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Dados mostram aumento da procura por atendimento de saúde mental no Rio
Dados mostram aumento da procura por atendimento de saúde mental no Rio

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado na última quinta-feira, 10 de setembro, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) reforça o debate sobre saúde mental e valorização da vida.

A mobilização ocorre durante o Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre a prevenção ao suicídio. No estado, números da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) mostram o crescimento da procura por atendimento relacionado à saúde mental.
Entre 2023 e 2025, as 27 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estaduais registraram 169.838 atendimentos relacionados à saúde mental. O número subiu de 50.624, em 2023, para 64.400, em 2025, um aumento de aproximadamente 27%.
No mesmo período, as unidades registraram 3.428 atendimentos relacionados a lesões autoprovocadas e intoxicações intencionais.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também registrou aumento nas ocorrências relacionadas a transtornos mentais ou comportamentais. Foram 21.856 casos em 2023 e 27.446 em 2025.
A preocupação também aparece nos dados nacionais, principalmente entre crianças e adolescentes.
Segundo o Atlas da Violência 2026, a taxa de internações por lesões autoprovocadas entre brasileiros de 10 a 19 anos passou de 3,7 para 6,4 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024. O crescimento chegou a 73% no período.
O levantamento também aponta diferenças entre os estados e destaca que os números podem refletir tanto a ocorrência dos casos quanto a capacidade de registro e o acesso aos serviços de saúde.
Os dados reforçam a importância da prevenção e da identificação precoce de situações de risco.

No Rio de Janeiro, o Setembro Amarelo integra o calendário oficial por meio da Lei 8.660/19. A legislação criou o Plano Estadual de Valorização da Vida e estabeleceu o último domingo de setembro como data da Caminhada Anual pela Valorização da Vida.
Outra medida, a Lei 8.591/19, criou o Programa de Prevenção de Violências Autoprovocadas ou Autoinfligidas para policiais civis e militares, bombeiros militares, inspetores prisionais e agentes do Degase.
A norma prevê ações de prevenção, assistência e capacitação para lidar com o sofrimento psíquico e o suicídio.
A Alerj também analisa novas medidas em 2026. O Projeto de Lei 7.517/26 estabelece diretrizes para prevenir e enfrentar o suicídio e a automutilação no estado.
A proposta prevê ações educativas, preventivas e assistenciais, além do fortalecimento da rede de saúde mental e do acompanhamento contínuo de pessoas em sofrimento e seus familiares.
Para o psicólogo Nelson Antonio Linhares, o acolhimento representa um passo importante durante uma crise.
Segundo o profissional, ouvir sem julgamentos permite que a pessoa expresse o que sente e diminui a sensação de isolamento.
“A escuta sem julgamentos valida a dor da pessoa, reduz a sensação de isolamento e cria um espaço seguro para que ela exponha o que está sentindo. Quando alguém em dor se sente ouvido, a intensidade da crise tende a diminuir.”
O psicólogo recomenda evitar frases que minimizem o sofrimento, como “isso é bobagem”, “pense positivo” ou “tem gente em situação muito pior”.
Em vez disso, familiares e amigos podem demonstrar disponibilidade com frases simples, como “Estou aqui com você” e “Como posso te apoiar agora?”.
Nelson também destaca que diferentes formas de cuidado podem contribuir para a recuperação.
O psicólogo relata o caso de uma mulher de 40 anos, cuja identidade foi preservada. Ela enfrentou depressão, ansiedade, automutilação e pensamentos suicidas em meio a uma relação abusiva e dificuldades financeiras.
O tratamento envolveu acompanhamento psicológico e psiquiátrico. A paciente também buscou apoio em uma comunidade de fé, iniciou atividades físicas e procurou o Centro de Valorização da Vida (CVV) durante momentos de crise.
“Foi um conjunto de cuidados. Ela aderiu ao tratamento e buscou apoio em diferentes momentos. Hoje, está conseguindo manter a saúde mental estável.”
Para quem enfrenta dificuldades para falar sobre o próprio sofrimento, o psicólogo orienta começar com uma mensagem simples para alguém de confiança.
“Você não precisa organizar tudo o que está sentindo para buscar apoio. Se não conseguir falar, mande uma mensagem para alguém de confiança dizendo apenas: ‘Não estou bem e preciso de ajuda’.”
A assistência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) conta com a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que reúne serviços como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e unidades de urgência e emergência.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Em situações de emergência, a população pode acionar o Samu pelo 192.
A prevenção ao suicídio exige atenção durante todo o ano. Informação, escuta e acesso à rede de cuidado podem ajudar a identificar situações de sofrimento e aproximar quem precisa de apoio dos serviços disponíveis.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting