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Redes sociais mudam relação entre candidatos e eleitores

  • setembro 29, 2026
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Especialista em Comunicação e Política analisa impacto das bolhas, uso de dados e novas regras para inteligência artificial

Redes sociais mudam relação entre candidatos e eleitores

O celular se tornou uma das principais portas de entrada para a política no dia a dia. A relação entre candidatos e eleitores mudou com a expansão das redes sociais e do conteúdo digital.

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Vídeos curtos, transmissões ao vivo, memes e influenciadores passaram a ocupar espaço na comunicação política. Candidatos também ganharam a possibilidade de falar diretamente com o público, sem depender exclusivamente da imprensa tradicional.

Para a jornalista, pesquisadora e professora de Comunicação e Política da Estácio, Monica Winter, esse contato direto amplia o acesso à informação, mas também cria novos desafios.

Emoção ganha espaço nas redes

Um dos principais pontos de atenção está no conceito de pós-verdade. O termo ganhou destaque em 2016, quando o Dicionário Oxford o escolheu como palavra do ano, em um período marcado pelo Brexit e pela eleição de Donald Trump.

A expressão descreve situações em que conteúdos capazes de despertar emoções pesam mais na formação de opiniões do que os próprios fatos.

“As redes foram feitas para prender a atenção. Quanto mais curtidas, comentários e compartilhamentos, mais o post é exibido para outras pessoas. Conteúdo emocional ou polêmico, verdadeiro ou não, se espalha mais rápido do que uma notícia checada.”

Segundo Mônica, os algoritmos também contribuem para o chamado efeito bolha. As plataformas tendem a apresentar conteúdos alinhados aos interesses e às crenças de cada usuário.

“Os algoritmos ainda criam o efeito bolha, mostrando para cada pessoa aquilo em que ela já acredita, o que reforça a polarização.”

Checagem enfrenta velocidade da desinformação

A partir das eleições de 2018, cresceram no Brasil iniciativas de checagem, como Aos Fatos, Agência Lupa, Comprova e Fato ou Fake.

O Tribunal Superior Eleitoral também passou a firmar parcerias com agências de checagem e plataformas digitais.

Em fevereiro de 2024, o TSE aprovou regras sobre o uso de inteligência artificial nas eleições. Entre as medidas, estão restrições ao uso de deepfakes, conteúdos manipulados que podem alterar vídeos ou áudios de pessoas.

 

Para as eleições gerais de outubro, novas regras aprovadas em março de 2026 ampliaram as restrições relacionadas a conteúdos produzidos por inteligência artificial, inclusive no período próximo à votação.

Mesmo com mecanismos de checagem, a velocidade de circulação dos conteúdos continua sendo um obstáculo.

“A desinformação se espalha mais rápido do que qualquer equipe consegue verificar e reverter a convicção criada a partir de uma fake news ou pós-verdade é um grande desafio”, ressalta a professora.

Brasileiro demonstra desconfiança

A relação do público com as redes sociais também envolve desconfiança. Segundo a Pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2026 sobre a percepção dos meios de comunicação, 54% dos entrevistados disseram não confiar nas redes sociais.

Outros 44% afirmaram confiar nessas plataformas. A pesquisa considera margem de erro de dois pontos percentuais.

Para Mônica, as redes conseguem manter engajados os eleitores que já apoiam determinado candidato, mas apresentam limitações para alcançar quem ainda está indeciso.

“As redes e suas bolhas ajudam a manter engajado quem já apoia um candidato, mas são bem menos eficazes para convencer quem está indeciso.”

A especialista destaca que o ambiente digital mudou a forma como a população acompanha a política, mas não elimina a necessidade de avaliação individual.

A recomendação é consultar a fonte original antes de compartilhar uma informação, desconfiar de conteúdos que provoquem reações emocionais intensas e buscar diferentes canais de informação.

Dados pessoais também entram no debate

Outro ponto levantado pela especialista envolve o uso de dados pessoais para fins eleitorais.

Um dos casos mais conhecidos ocorreu com o Facebook e a empresa Cambridge Analytica. O episódio veio a público em março de 2018, após reportagens do The Guardian e do The New York Times.

A consultoria teve acesso a dados de cerca de 87 milhões de usuários para direcionar publicidade política. O caso também envolveu a campanha de Donald Trump nas eleições de 2016.

No Brasil, o Facebook recebeu uma multa de R$ 6,6 milhões do Ministério Público em dezembro de 2019 relacionada ao episódio.

Regulamentação continua em discussão

A regulamentação da circulação de conteúdos digitais também chegou ao Congresso Nacional. O chamado PL das Fake News foi aprovado pelo Senado, mas saiu da pauta da Câmara dos Deputados em maio de 2024.

Desde então, o projeto segue sem uma nova data definida para discussão.

Nesse cenário, a participação do eleitor exige atenção não apenas às mensagens publicadas por candidatos, mas também à forma como as plataformas selecionam e distribuem os conteúdos.

Como resume Monica Winter, as redes transformaram a experiência política cotidiana, mas a análise das informações continua dependendo do próprio eleitor.

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