DESTAQUEEstácio NotíciasGeral

Dia da Pessoa Idosa: especialista alerta para riscos dentro de casa e nas cidades

  • outubro 1, 2026
  • 0

Arquiteto e urbanista defende adaptações simples em residências e espaços públicos para ampliar segurança e autonomia

Dia da Pessoa Idosa: especialista alerta para riscos dentro de casa e nas cidades

O envelhecimento da população brasileira traz um desafio que vai além da saúde. Para o arquiteto e urbanista Marcelo Monteiro, especialista em planejamento urbano e mobilidade e docente da Estácio, as cidades e as residências ainda não acompanham essa mudança.

Publicidade

No Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o especialista chama atenção para a segurança e a autonomia durante o envelhecimento.

“O Brasil envelhece em ritmo acelerado, mas as nossas cidades e habitações continuam projetadas com a premissa de um usuário jovem, ágil e imune a tropeços.”

Segundo Monteiro, mudanças físicas naturais podem transformar elementos comuns da casa em obstáculos. As quedas dentro da residência estão entre os principais fatores de risco para pessoas idosas.

Banheiro exige atenção

O banheiro aparece como um dos principais pontos de atenção. De acordo com o especialista, mais de dois terços das fraturas graves na terceira idade decorrem de quedas no ambiente doméstico.

O conceito de Desenho Universal orienta parte das soluções. A proposta busca criar espaços que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, sem depender de adaptações específicas.

Entre as medidas apontadas por Monteiro estão o uso de pisos com maior aderência e a eliminação de desníveis no boxe.

O especialista também recomenda ralos lineares no nível do piso e portas que abram para fora ou utilizem sistema de correr.

“Se alguém sofre uma tontura e cai contra a porta no banheiro, ela não ficará bloqueada pelo próprio corpo, viabilizando o socorro imediato.”

As barras de apoio também precisam de atenção. Monteiro recomenda modelos com fixação estrutural firme em alvenaria ou concreto e alerta para o uso de barras móveis de ventosa.

A iluminação completa as medidas de segurança. Segundo o arquiteto, ambientes residenciais precisam de mais iluminação e de contrastes visuais bem definidos entre pisos, degraus e rodapés.

Calçadas também podem criar obstáculos

Os riscos não terminam dentro de casa. Nas ruas, problemas de infraestrutura podem dificultar a circulação de pessoas idosas.

Para Monteiro, a calçada precisa manter uma faixa livre e contínua para a circulação de pedestres. O espaço deve permanecer sem postes, degraus, lixeiras ou outros obstáculos.

O especialista aponta ainda a necessidade de uma passagem nivelada com pelo menos 1,20 metro de largura útil.

“A calçada não é um prolongamento da garagem do morador, mas sim um canal essencial de mobilidade pública.”

Travessias precisam considerar diferentes velocidades

A travessia de ruas também exige atenção. Segundo Monteiro, os tempos dos semáforos de pedestres podem considerar uma velocidade média de 1,2 metro por segundo.

Esse ritmo pode dificultar a travessia de pessoas que caminham mais lentamente, utilizam bengala ou convivem com dores articulares.

O especialista cita extensões de calçada como uma alternativa. A estrutura reduz a distância da travessia, estreita a pista e pode estimular a redução da velocidade dos veículos.

Bancos e sombra favorecem a circulação

Uma cidade preparada para o envelhecimento também precisa oferecer pontos de descanso ao longo dos trajetos cotidianos.

Monteiro recomenda bancos distribuídos pelas áreas de circulação, com assentos a cerca de 45 centímetros do chão e braços de apoio firmes.

O sombreamento das áreas de descanso também contribui para o conforto térmico durante os deslocamentos.

Para o especialista, essas medidas beneficiam diferentes grupos da população.

“A mesma calçada nivelada que atende o idoso acolhe a criança pequena, o pai empurrando o carrinho de bebê e a pessoa com uma lesão temporária no joelho.”

Segundo Monteiro, investir em residências seguras e cidades caminháveis contribui para a autonomia e a qualidade de vida.

“Envelhecer com dignidade e autonomia não é apenas uma questão de saúde, mas uma decisão de projeto.”

 

Links relacionados:

Terceira idade em Nova Friburgo: hábitos e hobbies impulsionam envelhecimento saudável

 

Compartilhe:
Publicidade