hobbies tradicionais conquistam espaço entre as novas gerações
- agosto 6, 2026
- 0
Crochê, tricô, bordado e amigurumi aproximam diferentes idades e podem contribuir para concentração e bem-estar
Crochê, tricô, bordado e amigurumi aproximam diferentes idades e podem contribuir para concentração e bem-estar
Crochê, tricô, bordado, feltro e outras atividades manuais, antes muito associadas às pessoas mais velhas, principalmente às mulheres, conquistam cada vez mais espaço entre as novas gerações. A mudança também aproxima diferentes faixas etárias e transforma os ateliês em ambientes de troca e convivência.

A artesã Janaina Bernardino, responsável pelo @janalinhas.atelier, percebe esse movimento entre seus alunos. Segundo ela, adultos e idosos ainda representam a maior parte das turmas, mas o interesse de crianças e adolescentes pelas técnicas artesanais cresce.
“Ainda temos um número maior de alunos adultos e idosos nas atividades artesanais, mas a técnica do amigurumi tem despertado o interesse de pré-adolescentes e adolescentes”, comenta.
Com origem no Japão, o amigurumi ganhou popularidade no Brasil a partir dos anos 2000. A técnica utiliza crochê ou tricô para criar bonecos, animais e outros personagens.
A estudante Lia Corrêa, de 14 anos, começou a aprender a técnica aos 10. Atualmente, ela divide as aulas com alunos de diferentes gerações e se tornou uma das participantes mais experientes do ateliê.
“Minha vó já tinha me ensinado o básico do crochê e, quando conheci o amigurumi, me encantei! Aprender uma coisa nova sempre é difícil, mas, com o tempo, fui me acostumando e gostando cada vez mais. Tenho satisfação a cada peça que termino e, depois, fico ainda mais animada para criar outras!”, relata.
Além de estimular a criatividade, atividades manuais exigem concentração, repetição de movimentos e atenção aos detalhes. Esses fatores podem contribuir para o bem-estar e auxiliar no controle da ansiedade.
A psicóloga e professora do curso de Psicologia da Estácio, Pamela Cristina, explica que atividades artesanais podem funcionar como ferramentas terapêuticas complementares. Segundo ela, essas práticas podem favorecer a redução da tensão, a sensação de pertencimento e o fortalecimento emocional.
“Quando o indivíduo se engaja em uma manualidade que exige destreza fina e coordenação viso-motora, ocorre um redirecionamento vital dos recursos cognitivos. O foco contínuo exigido pela tarefa inibe ativamente a hiperativação da rede cerebral associada à ruminação e à preocupação antecipatória crônica”, explica.
A especialista acrescenta que o movimento repetitivo e o contato com os materiais também ajudam a manter a atenção no momento presente.
“Esse engajamento físico no tempo presente estimula o sistema nervoso parassimpático, auxiliando na redução dos níveis de cortisol e mitigando a agitação motora típica da ansiedade. Assim, a criação torna-se um contêiner simbólico e seguro para a energia psíquica e pode até mesmo potencializar o vínculo social.”
Janaina também relata experiências de alunos que encontraram nas atividades manuais uma forma de melhorar o bem-estar.
“Já tivemos alunos com TEA, Síndrome de Tourette, Síndrome das Pernas Inquietas, depressão e em tratamento contra câncer, por exemplo. Segundo esses alunos, as atividades contribuíram para o controle da ansiedade e para o bem-estar emocional”, afirma.
A psicóloga, no entanto, ressalta que cada pessoa possui características e necessidades diferentes. Por isso, a escolha da atividade deve considerar aspectos como sensibilidade a estímulos, capacidade de abstração, criatividade e preferências individuais.
“Nem todas as pessoas se sentirão beneficiadas realizando a mesma atividade”, acrescenta Pamela.
As atividades manuais também criam oportunidades para aproximar pessoas de diferentes idades. Nas aulas, crianças, adolescentes, adultos e idosos compartilham técnicas, experiências e histórias.
Para Lia, a convivência com pessoas de outras gerações tornou a experiência ainda mais especial.
“A turma me acolheu muito bem, e foi muito legal ter mais contato com pessoas de várias idades”, conta.
Mais do que recuperar práticas tradicionais, o movimento mostra que hobbies como crochê, tricô e bordado podem ganhar novos significados entre os jovens. Em meio às telas e à rotina acelerada, trabalhos manuais oferecem uma oportunidade de desacelerar, criar e estabelecer conexões com outras pessoas.
Links relacionados:
Hobbyterapia: a importância de hobbies manuais e criativos para o equilíbrio emocional

Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
