Hospital veterinário em Friburgo amplia ala felina
- agosto 6, 2026
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Lucilla Montero ergueu o primeiro hospital veterinário de Friburgo e agora entrega metade dele aos gatos
Lucilla Montero ergueu o primeiro hospital veterinário de Friburgo e agora entrega metade dele aos gatos
Lucilla Montero chegou de fora, fundou a Animamed sozinha em 2008 e apostou no que o mercado veterinário ignorava. Ao lado do sócio e marido Kauê Montero, inaugura em 1º de agosto uma expansão que dedica metade da estrutura aos felinos.

Lucilla Montero não nasceu em Nova Friburgo. Veio de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, e chegou à cidade em 2006. Dois anos depois, sem rede formada e sem clientela herdada, abriu o próprio negócio. Hoje é ela quem comanda o primeiro hospital veterinário em Nova Friburgo, ao lado do médico-veterinário Kauê Montero, seu marido.
A Animamed nasceu em 2008, três anos depois de ela se formar médica-veterinária. No começo, era apenas uma clínica. Hoje reúne UTI, centro cirúrgico, laboratório interno e atendimento 24 horas.
O tamanho da aposta fica mais claro com um pouco de contexto. Até 1952, o Brasil havia diplomado 1.122 médicos-veterinários. Apenas 14 eram mulheres, pouco mais de 1%. A virada veio só no ano 2000, quando elas ultrapassaram os homens em novos registros no sistema CFMV/CRMVs.
Lucilla se formou em 2005, na crista dessa mudança. Hoje as mulheres são quase 60% dos médicos-veterinários registrados no país, segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária. No Rio de Janeiro, o avanço é ainda maior: em 2025, 79,2% dos novos inscritos no CRMV-RJ eram mulheres.
A própria trajetória de Lucilla passou por esse território. Ela atuou com equinos na Alemanha, principalmente em clínica e cirurgia e, em menor escala, como anestesiologista. Era justamente a área de grandes animais, o segmento que por mais tempo permaneceu masculino. Hoje não atende mais a espécie.
No entanto, ser maioria na profissão não é o mesmo que estar à frente do negócio. O próprio Conselho reconhece o gargalo. Segundo especialistas ouvidos pela entidade, o passo seguinte da feminização da Medicina Veterinária é a ocupação de cargos de liderança, gestão e propriedade. Essas posições seguem majoritariamente masculinas.
“Eu não fui contratada para trabalhar com animais. Eu abri a porta, coloquei meu nome nela e assumi o risco. É uma diferença que muda tudo”, diz Lucilla.
Havia, além disso, uma segunda decisão. E essa contrariava a lógica do setor.
O censo da Abinpet com o Instituto Pet Brasil, referente a 2024, contabiliza 63,7 milhões de cães e 32,2 milhões de gatos no Brasil. São cerca de dois cães para cada gato. Por isso, a estrutura das clínicas brasileiras foi construída historicamente em torno do cão: salas de espera, mesas de exame e protocolos de manejo pensados para a espécie de maior volume.
Os lares, porém, já vinham mudando. Entre 2023 e 2024, a população de gatos no Brasil cresceu 4,5%, quase o dobro da média mundial, segundo a mesma pesquisa. A Abinpet associa o avanço à verticalização das cidades, a casas menores e a rotinas mais corridas. Nesse cenário, um animal mais independente se encaixa melhor.
O gato entrava nesse ambiente em desvantagem. Muitas vezes, aliás, nem entrava. Segundo a International Cat Care, um em cada três gatos não faz o check-up anual recomendado. Na maioria dos casos, o estresse da consulta é a razão.
Há também um efeito colateral da própria percepção que leva o gato para dentro de casa. Quem escolhe a espécie por acreditar que ela exige menos tende a levá-la menos ao veterinário. E o gato disfarça dor e doença por instinto.
Lucilla, no entanto, leu esses números como oportunidade. Direcionou a formação para a área e acumulou especializações em imaginologia, fisioterapia, acupuntura, anestesia e clínica da dor e medicina felina. Concluiu ainda mestrado em naturopatia com ênfase em acupuntura. Por fim, obteve a certificação internacional Cat Friendly, concedida pela American Association of Feline Practitioners. O selo atesta o cumprimento de protocolos de ambiente, manejo e redução de estresse para felinos.
A tese era dupla. Uma medicina veterinária que trate o gato com o mesmo rigor dedicado ao cão é mais justa. E, num país onde a população felina cresce mais rápido que a canina, também é sustentável.
“O tutor mudou. Hoje muita gente escolhe o gato porque a rotina não comporta um cão, e depois descobre que ganhou um vínculo igual. O que não mudou na mesma velocidade foi a estrutura das clínicas”, afirma. (aspas a validar)
A partir daí, a construção avançou por etapas. A clínica cresceu ao longo dos anos 2010 e ganhou reputação na região serrana. Em 2022, começou o processo de transformação em hospital. No ano seguinte, veio a mudança para um espaço maior, em Mury.
Kauê Montero entrou na sociedade em 2019, onze anos após a fundação, quando ainda cursava a faculdade de veterinária. Formou-se em 2023, pela UNIFESO, e permaneceu como sócio. Hoje responde pela direção administrativa da Animamed e atende animais silvestres e exóticos.
Finalmente, em 26 de agosto de 2024, a Animamed foi registrada no CRMV-RJ como o primeiro hospital veterinário de Nova Friburgo. A estrutura passou a incluir UTI, centro cirúrgico, laboratório interno e maternidade com incubadora. O atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em feriados.
Já existiam ali espaços reservados aos gatos. Ainda assim, não era o sonho.
A expansão inaugurada em 1º de agosto entrega o que faltava. A partir de agora, metade da estrutura é dedicada exclusivamente a felinos. São petshop próprio, recepção e sala de espera separadas, consultórios exclusivos e internação felina. Dessa forma, o gato chega, aguarda, é atendido e se recupera sem dividir ambiente, som ou cheiro com a ala canina.
É a versão em alvenaria de uma decisão tomada ainda na faculdade.
“Levei dezoito anos para erguer isso. Não é diferencial de marketing. É o mínimo que a espécie merece, e eu precisei virar dona do próprio hospital para poder entregar”, diz a veterinária.
Além da expansão, a inauguração traz uma segunda frente. O Patas que Esperam é um portal de adoção idealizado pelo Dr. Kauê Montero, sócio e marido de Lucilla. A plataforma conecta animais à espera de um lar a tutores da região.
O Hospital Veterinário Animamed, em Nova Friburgo, fica na Av. Walter Machado Thedin, 795, no bairro de Mury. O atendimento é 24 horas, sete dias por semana. O contato por telefone e WhatsApp é 22 2542-1030.
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting
