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Hospital do Câncer de Friburgo: 14 anos de espera

  • agosto 19, 2026
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O Hospital do Câncer de Nova Friburgo, oficialmente Hospital Estadual de Oncologia Francisco Faria, é uma das obras mais esperadas e mais atrasadas  da saúde pública fluminense. A

Hospital do Câncer de Friburgo: 14 anos de espera

O Hospital do Câncer de Nova Friburgo, oficialmente Hospital Estadual de Oncologia Francisco Faria, é uma das obras mais esperadas e mais atrasadas  da saúde pública fluminense. A pedra fundamental foi lançada em 2012. Passaram-se quatro governadores, dois impeachments, uma pandemia e mais de uma dezena de prazos anunciados e descumpridos.

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Hospital Veterinário Friburgo

E o hospital continua sem atender um único paciente. Não é exagero de linguagem. É cronologia. A obra já foi paralisada, embargada, saqueada e até incendiada. Ficou parada seis anos seguidos, entre 2016 e 2022. Foi retomada com festa, ordem de início assinada pelo governador em pessoa, discurso de esperança para os pacientes que precisam viajar para tratar câncer em outra cidade. Depois emperrou de novo. Prometeram para 2023.

Depois para o fim de 2024. Depois para o primeiro trimestre de 2025. As obras civis, essas sim, terminaram em julho de 2025. E mesmo assim o hospital não abriu. Agora a nova promessa oficial é outubro de 2026. Enquanto isso, o Tribunal de Contas do Estado abriu investigação sobre os contratos que ainda sustentam a conclusão da unidade depois de mais de R$80 milhões em investimento anunciado.

Um deputado protocolou pedido cobrando funcionamento imediato. Uma câmara municipal aprovou moção no mesmo sentido. O prefeito da cidade diz que “o coração pulsa de esperança” a cada visita à obra.

A esperança, nesse caso, já é mais velha que muita gente que nasceu depois da pedra fundamental.

 Obras do Hospital do Câncer de Nova Friburgo e corrupção no RJ: isso não é acaso 

O Rio de Janeiro não tem uma obra emperrada. Tem um padrão.

Nos últimos trinta anos, todo governador eleito do estado foi preso, afastado ou tornou-se réu por corrupção. Sérgio Cabral está preso, condenado em mais de uma dezena de ações da Lava Jato. Seu sucessor, Luiz Fernando Pezão, foi preso ainda no cargo, a semanas do fim do mandato.

Anthony e Rosinha Garotinho foram presos por desvio de verba pública. Wilson Witzel sofreu o primeiro impeachment de governador no Brasil desde a redemocratização condenado por irregularidades no uso de dinheiro público durante a pandemia, justamente em contratos da área da saúde.

E mais recentemente o próprio Cláudio Castro, que assinou a ordem de retomada das obras do hospital de Friburgo em 2022, teve sua elegibilidade contestada pela Justiça Eleitoral.

Esse é o pano de fundo. Enquanto o dinheiro da saúde pública fluminense virou, repetidas vezes, propina, mesada e esquema, o Hospital do Câncer de Nova Friburgo virou símbolo do que sobra para quem não tem acesso a esse circuito: uma obra inacabada, uma promessa reciclada a cada novo mandato.

Sem o hospital pronto, tratamento de câncer na Região Serrana significa viajar

Por trás de cada prazo perdido existe uma pessoa. Um morador da Região Serrana com diagnóstico de câncer não tem, hoje, uma unidade de referência na própria cidade. Precisa se deslocar para Niterói, Petrópolis, Teresópolis ou para a capital. Em plena quimioterapia. Enfraquecido, imunossuprimido, muitas vezes sem condição física de fazer sozinho uma viagem de estrada de serra. Sem contar o custo  do transporte, da hospedagem quando o tratamento exige internação, dos dias de trabalho perdidos por quem acompanha.

Isso não é estatística. É gente da nossa cidade perdendo tempo de tratamento, tempo de convívio com a família, tempo que em oncologia é o recurso mais escasso que existe  em uma estrada, porque o estado não conseguiu, em 14 anos, terminar de reformar um prédio que já existia.

Candidatos ao governo do estado: o que fazer pelo Hospital do Câncer de Nova Friburgo além de discurso

É temporada de eleição para o governo do estado. E vai ter discurso bonito sobre saúde pública, sobre valorizar a Região Serrana, sobre acabar com a corrupção que já derrubou praticamente todo governador que este estado elegeu. Vai ter candidato tirando foto na porta da obra, prometendo “prioridade máxima”, “compromisso com o povo de Friburgo”.

Fica o convite  e o desafio  a quem se candidata: não basta prometer de novo. Prometer é fácil, isso o Rio de Janeiro já mostrou que sabe fazer há 14 anos. O que falta é dizer, com nome e prazo, o que vai ser diferente desta vez. Quem vai assumir o compromisso pessoal de entregar essa unidade funcionando e não apenas com fachada pronta? Quem vai garantir transparência total nos contratos que hoje estão sob investigação do TCE-RJ, para que a obra não vire mais um capítulo de processo na Justiça? Quem vai colocar equipe, equipamento e orçamento andando no mesmo ritmo que o discurso de campanha?

Nova Friburgo e toda a Região Serrana não precisam de mais uma visita de governador com capacete de obra e microfone. Precisam de um hospital funcionando. A pergunta que fica para cada candidato ao Palácio Guanabara é simples: você vai continuar tratando essa obra como imagem de campanha, ou vai tratá-la como o compromisso com a vida de milhares de pacientes que ela sempre deveria ter sido?

A resposta, dessa vez, a população da Serra vai cobrar com data marcada.

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