Influenciadores digitais se tornaram peça central do marketing nas redes sociais, mas a atuação deles em Campanhas Eleitorais enfrenta limites definidos pela lei.
- Pela legislação eleitoral, criadores de conteúdo não podem ser contratados nem pagos para fazer propaganda de candidatos.
- Publicações patrocinadas com pedido de voto também são proibidas.
- Eles podem manifestar apoio ou crítica em suas redes, mas apenas como eleitores, de forma espontânea, sem contrato ou vínculo com partidos e campanhas.
- Mesmo nesses casos, o conteúdo não pode ser impulsionado nem monetizado.
- A lei permite que apenas candidatos, partidos e coligações impulsionem propaganda eleitoral, sempre por meio de perfis e canais oficiais.
Esse cenário cria um desafio duplo: campanhas tentam atrair influenciadores de forma orgânica, enquanto a Justiça Eleitoral precisa coibir propaganda disfarçada.
Segundo o especialista em marketing político Paulo Loiola, há uma zona cinzenta. “Você pode usar o influenciador para causas institucionais ou gestão pública, mas não para campanha. Como controlar isso?”, questiona.
Quando a Justiça Eleitoral identifica propaganda irregular, partidos, coligações e candidatos podem sofrer multas, ter conteúdos removidos, perder o direito de impulsionamento e, em casos mais graves, enfrentar cassação e inelegibilidade por abuso de poder.
Já os criadores podem ser multados por veicular propaganda irregular e responder criminalmente se divulgarem desinformação.
Pessoa física x pessoa jurídica
Influenciadores na Mira: campanha eleitoral tem
O monitoramento não se limita a influenciadores. Ele também alcança páginas de memes e fofocas com milhões de seguidores, que misturam entretenimento com conteúdo político.
“Uma coisa é a pessoa física. Outra é uma página com nome genérico que funciona como empresa digital. Nesse caso, além da proibição de pagamento, há a vedação à participação de pessoa jurídica na campanha”, explica Amanda Cunha.
Muitos desses perfis operam como empresas, já que monetizam conteúdo e publicidade. A intermediação por agências de marketing pode dificultar a identificação de quem está por trás das mensagens.
Fora do ambiente eleitoral, esse modelo já levantou suspeitas. No caso envolvendo o banco Master, influenciadores relataram propostas para criticar o Banco Central. A investigação aponta possível ligação com Daniel Vorcaro, suspeito de fraudes e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal apura se houve tentativa de obstrução de Justiça.
O que as campanhas Eleitoras podem fazer
Candidatos e partidos podem impulsionar conteúdos, desde que utilizem contas oficiais. A legislação proíbe terceirizar esse impulsionamento ou usá-lo para atacar adversários.
A disputa eleitoral migrou fortemente para o ambiente digital. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu a eleição com pouco tempo de TV e forte presença nas redes.
Naquele ano, a legislação passou a permitir impulsionamento de conteúdo político identificado. Desde então, campanhas intensificaram a disputa pela
Atenção do eleitor.
O uso de disparos em massa em aplicativos como o WhatsApp se popularizou, mas sofreu restrições ao longo do tempo. Em 2021, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu essa prática.
“O que mais tenho ouvido é de campanhas que acumulavam grandes bases de contatos e hoje não conseguem mais usar esse recurso”, afirma Paulo Loiola.
O período também ficou marcado pelo escândalo da Cambridge Analytica, que utilizou dados de usuários para direcionar propaganda política.
Da massa para o nicho
Entre 2018 e 2022, campanhas disputaram audiência. Agora, o foco está na análise de dados e na personalização.
Segundo Alek Maracajá, o objetivo é entender o perfil do eleitor e direcionar mensagens específicas.
Plataformas e algoritmos também mudaram. O Instagram prioriza vídeos curtos, seguindo a lógica do TikTok, enquanto o Facebook se consolidou como espaço de grupos. Já YouTube, Telegram e Discord avançaram em nichos.
Esse cenário fragmenta o público e dificulta romper bolhas ideológicas, o que aumenta a importância dos influenciadores.
Influenciadores e o desafio da espontaneidade
Especialistas apontam uma crise de confiança nas instituições e maior credibilidade em indivíduos. Nesse contexto, algoritmos tendem a favorecer conteúdos com emoção e engajamento, o que amplia o risco de desinformação. O desafio das campanhas é estimular apoio espontâneo, sem violar a lei.
“Hoje, importa menos o que o candidato diz sobre si e mais o que o ecossistema ao redor diz sobre ele”, afirma Paulo Loiola.
Inteligência artificial e campanhas
O uso de inteligência artificial já integra as campanhas. A legislação permite seu uso na criação de peças, desde que isso seja informado ao público.
No entanto, a lei proíbe deepfakes e manipulações de imagem e voz. Ferramentas como ChatGPT não podem recomendar voto nem expressar preferência política.
A essência da campanha
Apesar das mudanças tecnológicas, especialistas afirmam que o núcleo das campanhas permanece o mesmo: estratégia, posicionamento e narrativa.
Para o marqueteiro Raul Cruz Lima, “O mais importante continua sendo o posicionamento estratégico. Os meios mudam, mas a essência permanece”.
Fonte: G1
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Jornalista com experiência em assessoria de imprensa, telejornalismo e Webwriting